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Tragédia na BR-373 chega a 23 mortos; identificação avança e Imbituva prepara velório coletivo

Cinco pessoas sobreviveram à colisão entre micro-ônibus da Saúde de Imbituva e carreta. PRF aponta forte indício de que o caminhão invadiu a pista contrária, mas causa definitiva dependerá da perícia; tacógrafo da carreta apresentava falha.

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IPIRANGA (PR) — O balanço da tragédia registrada na madrugada desta quarta-feira, 19 de agosto, na BR-373 foi consolidado em 23 mortos e cinco feridos. A colisão frontal entre um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva e uma carreta ocorreu por volta das 3h30, no km 209 da rodovia, em Ipiranga, nos Campos Gerais.

Entre as vítimas fatais estão 13 mulheres, oito homens e duas crianças. Vinte e duas pessoas que morreram estavam no micro-ônibus; a outra vítima fatal é o motorista da carreta.

O coletivo havia saído de Imbituva transportando pacientes e acompanhantes que seguiam para consultas, exames e tratamentos em hospitais da Grande Curitiba.

A tragédia é considerada pela Polícia Rodoviária Federal a ocorrência com maior número de mortes nas rodovias federais do Paraná desde 2021.

PRF aponta forte indício de invasão da pista pela carreta

Ao longo desta quarta-feira, a investigação começou a fornecer elementos mais claros sobre a dinâmica da colisão.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil, os vestígios encontrados até agora indicam que a carreta teria atravessado para a faixa contrária e atingido frontalmente o micro-ônibus.

O chefe da Delegacia da PRF em Ponta Grossa, Luís Bertelli, afirmou que existe um forte indício de que a movimentação do caminhão tenha provocado a colisão.

A conclusão definitiva, porém, dependerá do Laudo Pericial de Acidente de Trânsito, além dos trabalhos da Polícia Científica e da investigação conduzida pela Polícia Civil.

Portanto, neste momento, não é tecnicamente correto afirmar que a responsabilidade já esteja definitivamente estabelecida.

Acidente aconteceu em trecho de reta e sem chuva ou neblina

Outro elemento importante revelado durante a apuração é que as condições climáticas aparentemente não contribuíram para o acidente.

Segundo a PRF, não havia chuva nem neblina no momento da colisão. O trecho é de pista simples.

A perícia trabalha agora para reconstruir os segundos que antecederam o impacto e identificar fatores como trajetória, velocidade e posicionamento dos veículos.

Tacógrafo da carreta apresentava problema

Um dos novos elementos da investigação envolve o tacógrafo da carreta.

O equipamento, responsável por registrar informações como velocidade, distância percorrida e períodos de condução, não estava em pleno funcionamento no momento do acidente, segundo a PRF.

A irregularidade deverá integrar a investigação e também poderá gerar autuação específica.

A existência da falha, entretanto, não permite concluir isoladamente qual era a velocidade da carreta nem que o problema no equipamento tenha causado o acidente.

Essas respostas deverão ser obtidas a partir de outros vestígios periciais, análise dos veículos e demais elementos reunidos no inquérito.

Micro-ônibus estava regular e havia começado a operar há cerca de dois meses

A Prefeitura de Imbituva informou que o micro-ônibus pertencia ao próprio município, estava com documentação e seguro regulares e havia começado a operar havia aproximadamente dois meses.

O transporte de pacientes de Imbituva para hospitais de Curitiba e Região Metropolitana é realizado rotineiramente.

Nesta quarta-feira, a viagem foi interrompida poucos quilômetros depois da saída.

Cinco pessoas sobreviveram

Cinco ocupantes do micro-ônibus sobreviveram e foram encaminhados para unidades de saúde de Ponta Grossa.

Entre os sobreviventes estão quatro adultos e uma criança de seis anos.

Informações divulgadas ao longo do dia indicaram que três dos feridos apresentavam quadro considerado grave e dois tinham ferimentos moderados.

A Prefeitura de Imbituva acompanha os pacientes e presta assistência aos familiares.

Polícia Científica montou operação especial para identificar vítimas

A quantidade de vítimas exigiu uma mobilização extraordinária da Polícia Científica do Paraná.

Equipes de Ponta Grossa, Curitiba e Guarapuava foram acionadas para auxiliar nos procedimentos de identificação.

Foi adotado o protocolo internacional DVI — Disaster Victim Identification, utilizado em ocorrências de grandes proporções e baseado em procedimentos padronizados de identificação de vítimas.

Dependendo das condições de cada corpo, podem ser empregados documentos, impressões digitais, características odontológicas, exames genéticos e confronto com informações fornecidas pelas famílias.

O objetivo é impedir qualquer erro na liberação dos corpos.

Informações sobre número de identificados tiveram atualizações diferentes

Durante a tarde, diferentes balanços públicos foram divulgados sobre o andamento das identificações.

Uma atualização da CBN Curitiba, citando informações do IML, informou 18 identificações durante a tarde. Mais tarde, outra atualização, atribuída à Secretaria de Segurança Pública, registrava 14 identificações formalmente consolidadas até as 18 horas.

Diante dessa divergência temporal entre os balanços, o Portal Conexão Geral não tratará nenhum desses números intermediários como definitivo.

A identificação das 23 vítimas continuava durante a noite desta quarta-feira.

Prefeitura começou a divulgar nomes confirmados

À medida que a identificação oficial avança e os familiares são comunicados, nomes das vítimas começaram a ser divulgados.

Entre os já publicamente confirmados estão Nelson Luiz Bronguel, Valderi Stadler, Azelia Grisoski Stadler, Edineia Lemes Batista, Liane Bienert, Erick Cezar Wiertel, Marcos Vinícius Marconato, Willieny Brandt Marconato, Meirielli Neiverth Marconato, Cristiane Luiza Íntima e Evelyn Cristina de Jesus Silva.

Erick Cezar Wiertel, de 38 anos, era o motorista do micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde.

Cristiane e Evelyn eram mãe e filha.

Valderi Stadler acompanhava a mãe, Azelia, em deslocamento para atendimento médico.

Marcos Vinícius e Willieny eram casados e deixam uma filha.

Novos nomes somente devem ser divulgados depois de confirmação oficial e comunicação das famílias.

Imbituva prepara estrutura para velório coletivo

A dimensão da tragédia também obrigou o município a organizar uma estrutura excepcional para receber os corpos.

A Prefeitura colocou o Ginásio Municipal de Esportes de Imbituva à disposição para a realização de um velório coletivo, porque a estrutura funerária convencional da cidade não teria capacidade para receber simultaneamente todas as vítimas.

A utilização do espaço, porém, dependerá da decisão de cada família.

Ou seja, não significa necessariamente que todas as vítimas serão veladas juntas.

As liberações dos corpos dependem da conclusão dos procedimentos de identificação da Polícia Científica.

Uma cidade inteira atingida

Imbituva possui pouco mais de 30 mil habitantes e muitas das vítimas eram conhecidas entre si ou pertenciam a famílias com fortes vínculos comunitários.

Durante todo o dia, familiares e amigos se deslocaram para Ponta Grossa em busca de informações sobre sobreviventes e para os procedimentos de reconhecimento e identificação.

A Prefeitura suspendeu atendimentos administrativos e atividades municipais como demonstração de luto.

O governador Ratinho Junior também decretou três dias de luto oficial no Paraná.

Rodovia foi liberada

A BR-373 permaneceu completamente interditada durante várias horas depois da colisão para atendimento às vítimas, retirada dos corpos, realização da perícia e remoção dos veículos.

O trecho foi posteriormente liberado nos dois sentidos.

Os veículos envolvidos foram removidos para que novas análises periciais possam ser realizadas.

Empresa responsável pela carreta se manifesta

A carreta envolvida pertence à Meggatrans Transportes.

A empresa lamentou as mortes e declarou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. Também afirmou que aguardará a conclusão das apurações antes de se manifestar sobre as circunstâncias que provocaram o acidente.

O motorista da carreta morreu no local.

Investigação ainda precisa responder questões fundamentais

Apesar dos avanços obtidos nesta quarta-feira, ainda existem perguntas que somente a perícia poderá responder.

Entre elas:

  • qual era a velocidade dos dois veículos;
  • por que a carreta teria cruzado a faixa central;
  • se houve falha mecânica;
  • se ocorreu mal súbito;
  • se houve distração ou fadiga;
  • qual a influência, se alguma, da irregularidade encontrada no tacógrafo;
  • e qual foi a sequência exata de movimentos imediatamente antes da colisão.

A Polícia Civil abriu inquérito e a PRF também produzirá laudo técnico sobre o acidente.

Tragédia entra para a história das rodovias paranaenses

Com 23 mortos, o acidente desta quarta-feira tornou-se o mais fatal registrado pela PRF no Paraná desde janeiro de 2021, quando 19 pessoas morreram no tombamento de um ônibus na BR-376, em Guaratuba.

Antes disso, o Estado registrou tragédias ainda maiores na década de 1990, incluindo acidentes que deixaram dezenas de mortos.

Mas números não conseguem dimensionar completamente o impacto desta quarta-feira.

A maioria dos passageiros havia saído de casa durante a madrugada para algo absolutamente cotidiano: buscar atendimento médico.

Em poucas horas, uma viagem realizada rotineiramente pela Secretaria de Saúde transformou-se em uma das maiores tragédias rodoviárias recentes do Paraná.

O Portal Conexão Geral continuará atualizando a reportagem conforme forem concluídas as identificações, divulgado o estado dos sobreviventes e apresentados os primeiros resultados oficiais da investigação.


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