Perícia reforça hipótese de que carreta invadiu pista contrária antes de tragédia com 23 mortos na BR-373
Investigação avança sobre dinâmica da colisão em Ipiranga; exames toxicológicos foram realizados nos dois motoristas, enquanto Polícia Civil busca câmeras e ouve testemunhas para esclarecer por que o caminhão teria entrado na faixa oposta

As investigações sobre a tragédia que deixou 23 mortos na BR-373, nos Campos Gerais do Paraná, avançaram nesta quinta-feira (20) e reforçam a hipótese de que a carreta envolvida na colisão frontal tenha invadido a faixa destinada ao tráfego no sentido contrário antes de atingir o micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva.
A informação foi detalhada pelo secretário de Segurança Pública do Paraná, Hudson Teixeira. Segundo o estágio inicial da perícia, o caminhão seguia na faixa oposta no momento da colisão frontal.
A constatação, entretanto, ainda não encerra a investigação sobre a causa do acidente.
As autoridades precisam esclarecer principalmente por que a carreta entrou na pista contrária e se fatores humanos, mecânicos ou alguma outra circunstância contribuíram para a tragédia.
Indícios já haviam surgido logo após o acidente
A possibilidade de invasão da pista contrária não surgiu somente nesta quinta-feira.
Ainda na quarta-feira (19), evidências preliminares levantadas pela Polícia Rodoviária Federal já apontavam que a carreta teria saído de sua faixa e atingido frontalmente o micro-ônibus.
O avanço agora está na incorporação dos primeiros elementos da perícia e na continuidade do inquérito conduzido pela Polícia Civil do Paraná.
Assim, tecnicamente, ainda é necessário tratar a invasão da pista como uma dinâmica apontada pelos levantamentos preliminares, enquanto os laudos definitivos não forem concluídos.
Micro-ônibus pode ter sido lançado para o acostamento
De acordo com informações apresentadas nesta quinta-feira, a força da colisão pode ter lançado o micro-ônibus em direção ao acostamento.
Ainda não é possível determinar se o motorista do veículo municipal percebeu a aproximação da carreta e tentou realizar alguma manobra evasiva.
Também não há conclusão oficial de que algum dos dois condutores tenha dormido ao volante.
Essa distinção é fundamental: uma coisa é estabelecer em qual faixa cada veículo estava no instante da colisão; outra é determinar o motivo pelo qual um deles chegou àquela posição.
Exames toxicológicos nos dois motoristas
A Polícia Científica coletou material dos dois condutores para a realização de exames toxicológicos.
Os resultados poderão auxiliar a investigação a estabelecer se álcool, medicamentos ou outras substâncias tiveram alguma influência sobre a condução dos veículos.
Não há, até o momento, divulgação de resultado que indique consumo de qualquer substância por um dos motoristas.
A perícia também utilizou drones, fotografias e outros registros técnicos do local do acidente para reconstruir a dinâmica da colisão.
Câmeras podem ajudar a esclarecer momentos anteriores
Outra frente considerada importante é a procura por imagens.
A Polícia Civil está tentando localizar gravações de câmeras de monitoramento existentes na região e ao longo do trajeto percorrido pelos veículos.
Essas imagens podem ajudar a estabelecer o comportamento da carreta nos quilômetros anteriores à colisão, sua trajetória e eventualmente outros elementos relevantes para a investigação.
Testemunhas também estão sendo identificadas e ouvidas.
A Polícia Civil aguarda ainda a entrega formal dos laudos produzidos pela Polícia Rodoviária Federal e pela perícia técnica para consolidar as conclusões do inquérito.
Tragédia aconteceu durante a madrugada
O acidente ocorreu por volta das 3h30 de quarta-feira (19), no quilômetro 209 da BR-373, em Ipiranga.
O trecho possui pista simples.
A carreta seguia no sentido Carambeí–Prudentópolis e estava sem carga. No sentido contrário vinha o micro-ônibus pertencente à Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva.
O veículo municipal transportava moradores de Imbituva para consultas, exames e outros procedimentos médicos em hospitais da Grande Curitiba.
A viagem, que fazia parte da rotina de transporte de pacientes do município, terminou em uma das maiores tragédias rodoviárias recentes do Paraná.
23 mortos e apenas cinco sobreviventes
Ao todo, 23 pessoas morreram e cinco sobreviveram à colisão.
Entre as vítimas fatais estavam 22 ocupantes do micro-ônibus, incluindo seu motorista, e o condutor da carreta. As vítimas incluem 13 mulheres, oito homens e duas crianças.
Os cinco sobreviventes foram encaminhados para atendimento hospitalar em Ponta Grossa.
A violência da colisão destruiu grande parte da estrutura frontal do micro-ônibus e mobilizou equipes da Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Científica e da concessionária responsável pela rodovia.
Imbituva vive dias de luto
A tragédia atingiu profundamente Imbituva, município de pouco mais de 30 mil habitantes.
Nesta quinta-feira, moradores continuaram as despedidas das vítimas. Parte dos velórios ocorreu coletivamente no Ginásio Municipal de Esportes, enquanto outras famílias optaram por cerimônias particulares.
A Prefeitura disponibilizou assistência psicológica e apoio às famílias.
O Estado do Paraná e a Assembleia Legislativa também decretaram luto em razão das mortes.
A pergunta central agora é: por quê?
A investigação começa a tornar mais clara a provável dinâmica física da colisão.
Os levantamentos feitos pela PRF e os primeiros resultados da perícia convergem para a possibilidade de que a carreta tenha entrado na faixa pela qual seguia o micro-ônibus.
Mas permanece sem resposta a principal questão:
o que fez o caminhão invadir a pista contrária?
Será necessário cruzar perícia dos veículos, condições da rodovia, depoimentos, imagens eventualmente recuperadas, exames dos motoristas e demais dados técnicos.
Somente a conclusão desses trabalhos permitirá determinar, com segurança, a causa do acidente e eventual responsabilidade.
Em uma investigação envolvendo 23 vidas perdidas, qualquer conclusão antecipada pode transformar uma hipótese técnica em condenação sem prova.
A apuração precisa seguir exatamente o caminho contrário: reunir evidências, reconstruir os últimos momentos da viagem e estabelecer, com precisão, o que aconteceu naquela madrugada na BR-373.
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