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Depois que a terra treme: países enfrentam mortos, cidades destruídas e uma longa batalha pela reconstrução

Venezuela já contabiliza 6.438 mortos; Indonésia tem 87 vítimas fatais e mais de 150 mil deslocados; Colômbia supera 320 mortes, enquanto Peru avalia danos de forte terremoto registrado de forma diferente por institutos sísmicos

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MATÉRIA ESPECIAL | INTERNACIONAL, 22 de agosto de 2026 — O movimento da terra pode durar poucos segundos. Para quem sobrevive, porém, suas consequências podem permanecer por meses, anos ou até gerações.

Venezuela, Colômbia, Indonésia e Peru enfrentam diferentes estágios de recuperação após terremotos de grande intensidade registrados nas últimas semanas e meses. Casas foram destruídas, hospitais e escolas sofreram danos, famílias permanecem deslocadas e milhares de pessoas convivem com o temor provocado pelas réplicas.

Em outros pontos do planeta, Japão e Espanha também registraram episódios sísmicos importantes recentemente.

Apesar da proximidade entre esses acontecimentos no calendário, não há evidência científica de que os terremotos registrados nesses países façam parte de uma única sequência mundial interligada. Os eventos estão associados, em sua maioria, às características tectônicas específicas de cada região.

Venezuela: 6.438 mortos e uma reconstrução que deverá durar anos

A Venezuela permanece diante do cenário mais devastador entre os países analisados.

Dois fortes terremotos registrados em 24 de junho, com magnitudes divulgadas de 7,2 e 7,5, atingiram o centro-norte do país e provocaram destruição especialmente severa na região de La Guaira, próxima a Caracas.

O balanço mais recente localizado, divulgado em 17 de agosto, elevou para 6.438 o número de mortos.

As autoridades também informaram que 86.358 pessoas foram atendidas em hospitais desde o desastre. O número representa atendimentos hospitalares e não deve ser interpretado automaticamente como quantidade de feridos.

A dimensão da tragédia aparece também na situação habitacional. Foram avaliadas 59.109 moradias.

Desse total:

  • 34.680 foram consideradas habitáveis;
  • 13.733 ficaram com algum tipo de restrição;
  • 10.696 foram classificadas como imóveis de alto risco.

Mais de 528 mil toneladas de escombros já haviam sido removidas até o último levantamento.

Mesmo assim, milhares de famílias continuam dependentes de moradias provisórias, ajuda humanitária e programas de reconstrução.

A Venezuela, portanto, já deixou para trás a fase mais intensa das operações de busca e salvamento e entrou em uma etapa igualmente complexa: recuperar bairros, estradas, escolas, hospitais, redes de abastecimento e a própria atividade econômica das áreas atingidas.

Indonésia: mais de 150 mil pessoas estão fora de casa

Na Indonésia, a situação se agravou significativamente desde os primeiros balanços.

O terremoto de magnitude 7,7, registrado em 15 de agosto na região de Flores, em Nusa Tenggara Oriental, deixou até este sábado (22) pelo menos 87 mortos e 1.298 feridos.

O número de pessoas deslocadas chegou a 150.576.

São moradores que permanecem em abrigos ou áreas temporárias por causa da destruição de suas casas, dos riscos estruturais e da continuidade das réplicas.

Mais de 5 mil tremores secundários já foram registrados desde o terremoto principal, mantendo milhares de famílias em estado permanente de alerta.

O governo indonésio mantém uma grande operação logística para atender as regiões afetadas.

Até este sábado, aproximadamente 954 toneladas de ajuda humanitária haviam sido transportadas por dezenas de voos.

Entre os materiais enviados estão:

  • alimentos;
  • água;
  • medicamentos;
  • tendas;
  • colchões;
  • geradores;
  • cobertores;
  • produtos de higiene.

O desafio agora é avaliar as residências, liberar áreas consideradas seguras e iniciar a reconstrução sem expor moradores a novos riscos.

Colômbia: 321 mortos e mais de 284 mil pessoas afetadas

A Colômbia enfrenta outra das maiores emergências provocadas pelos terremotos recentes.

O tremor de magnitude 7,4, registrado em 10 de agosto, teve epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó.

Segundo o balanço consolidado divulgado pelas autoridades colombianas, a tragédia já deixou:

  • 321 mortos;
  • 4.595 feridos;
  • 257 desaparecidos;
  • 364 pessoas resgatadas;
  • 284.185 pessoas afetadas.

Os efeitos chegaram a 476 municípios em 15 departamentos.

A destruição da infraestrutura também é extensa.

Foram contabilizadas 31.445 casas destruídas e 163.884 residências danificadas.

Além disso, centenas de unidades de saúde e milhares de escolas sofreram algum tipo de impacto.

Estradas, pontes, aeroportos e sistemas de abastecimento de água também foram atingidos.

A situação é especialmente delicada em regiões historicamente marcadas por pobreza, isolamento geográfico e dificuldades de acesso aos serviços públicos.

Em algumas comunidades, a chegada de equipes de emergência e suprimentos depende de transporte aéreo ou fluvial.

Peru: dois institutos apresentam magnitudes diferentes

O terremoto registrado no Peru na quinta-feira, 20 de agosto, apresenta uma particularidade importante.

O Instituto Geofísico do Peru (IGP) classificou o evento como de magnitude 7,2.

Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calculou magnitude 6,7.

Essa diferença pode ocorrer porque instituições utilizam redes sísmicas, metodologias e modelos distintos para calcular a magnitude de um mesmo evento.

Por isso, tecnicamente, é mais correto apresentar as duas medições e identificar suas respectivas fontes.

Apesar da forte intensidade, o impacto humano foi muito menor do que nos demais países analisados.

O balanço regional aponta:

  • 498 pessoas afetadas;
  • 3 feridos leves;
  • 83 casas afetadas;
  • 6 imóveis considerados inabitáveis;
  • 1 residência destruída;
  • 21 instituições de ensino afetadas;
  • 26 unidades de saúde com algum tipo de dano.

Não havia registro de mortes.

Os três feridos receberam atendimento médico e posteriormente tiveram alta.

A ocorrência de um tremor tão forte com relativamente poucas vítimas demonstra que a magnitude, sozinha, não determina o potencial de destruição de um terremoto.

Profundidade e qualidade das construções fazem diferença

A comparação entre os diferentes países ajuda a explicar por que terremotos de magnitudes semelhantes podem produzir consequências completamente distintas.

O impacto de um terremoto depende de diversos fatores, entre eles:

  • profundidade do foco sísmico;
  • distância do epicentro até áreas habitadas;
  • densidade populacional;
  • características do solo;
  • qualidade das construções;
  • horário do tremor;
  • presença de encostas sujeitas a deslizamentos;
  • possibilidade de tsunami;
  • capacidade de resposta das autoridades.

Construções preparadas para suportar atividade sísmica tendem a reduzir significativamente a quantidade de vítimas.

Em regiões com edificações frágeis, informais ou antigas, um tremor de intensidade semelhante pode produzir consequências muito mais graves.

Japão também registrou mortes e voltou a tremer

O Japão, um dos países mais preparados do mundo para terremotos, também sofreu recentemente um evento de grande intensidade.

O terremoto de magnitude 7,1, registrado em Kumamoto em 28 de julho, deixou 39 mortos e 358 feridos, segundo balanço oficial atualizado.

Mais de mil residências foram completamente destruídas e milhares sofreram danos.

Na madrugada deste domingo (23), no horário japonês — ainda noite de sábado no Brasil — um novo terremoto, preliminarmente calculado em magnitude 5,9, atingiu a região de Ibaraki e foi sentido inclusive em Tóquio.

Não houve alerta de tsunami nem registro inicial de danos graves.

Espanha convive com sequência de tremores

No sul da Espanha, a região de Granada também enfrenta uma sequência sísmica.

Um terremoto de magnitude 5,0 foi seguido por outros tremores superiores a magnitude 4.

Três pessoas sofreram ferimentos leves.

Edifícios públicos precisaram ser temporariamente fechados e centenas de moradores deixaram suas casas de forma preventiva.

Em uma das noites seguintes, pelo menos dez novos tremores foram registrados.

Cerca de 600 pessoas foram retiradas preventivamente de imóveis, enquanto equipes de emergência também atenderam moradores com crises de ansiedade e pânico provocadas pela sequência dos abalos.

Existe uma onda mundial de terremotos?

A concentração de notícias sobre grandes terremotos em um período relativamente curto pode dar a impressão de que o planeta estaria passando por uma fase sísmica excepcional.

Os dados exigem cautela.

Grande parte dos terremotos analisados nesta reportagem ocorreu em regiões naturalmente muito ativas do ponto de vista tectônico.

Peru, Colômbia, Japão e Indonésia estão diretamente relacionados ao sistema de bordas tectônicas que circunda o Oceano Pacífico, conhecido como Anel de Fogo.

Essa região concentra aproximadamente 81% dos maiores terremotos registrados no planeta.

A Venezuela está associada principalmente à interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana.

Já o sul da Espanha sofre influência da interação entre as placas Africana e Euroasiática.

A ocorrência desses terremotos em datas próximas, portanto, não demonstra que um esteja provocando o outro.

O pós-terremoto pode durar anos

Quando as equipes de busca deixam os escombros, começa outra fase da tragédia.

A reconstrução envolve muito mais do que levantar novamente as paredes destruídas.

Uma casa perdida significa uma família sem moradia.

Uma escola interditada significa centenas de crianças fora das salas de aula.

Uma ponte destruída pode deixar comunidades inteiras isoladas.

Hospitais danificados comprometem justamente a capacidade de atendimento necessária depois de um desastre.

Sistemas de abastecimento interrompidos podem provocar novos problemas de saúde.

Empresas destruídas representam empregos e renda perdidos.

Na Indonésia, mais de 150 mil pessoas ainda estão deslocadas.

Na Colômbia, mais de 31 mil casas foram destruídas.

Na Venezuela, milhares de famílias continuam tentando reconstruir suas vidas quase dois meses depois dos terremotos.

No Peru, mesmo sem mortes registradas, permanece a necessidade de vistoriar edificações e monitorar possíveis réplicas.

A reconstrução física também não encerra todas as consequências.

Sobreviventes podem conviver durante anos com traumas psicológicos, perdas familiares, insegurança financeira e medo de novos tremores.

O movimento das placas tectônicas pode durar segundos.

O pós-terremoto, porém, começa exatamente quando o chão para de tremer — e, para milhares de famílias, pode durar uma geração.


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