Band abre debates presidenciais neste domingo com quatro candidatos e ausência de Lula e Flávio Bolsonaro
Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury estarão no primeiro confronto televisivo entre presidenciáveis de 2026; debate começa às 20h e terá dois púlpitos vazios

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 22 de agosto de 2026 — A corrida pela Presidência da República entra neste domingo (23) em uma de suas etapas de maior exposição pública. A Band realiza, a partir das 20h, o primeiro debate presidencial televisionado das Eleições 2026, reunindo quatro candidatos ao Palácio do Planalto nos estúdios da emissora, em São Paulo.
Estão confirmados:
- Ronaldo Caiado (PSD);
- Romeu Zema (Novo);
- Renan Santos (Missão);
- Augusto Cury (Avante).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também haviam sido convidados, não participarão.
A ausência dos dois candidatos modifica significativamente o cenário do primeiro confronto nacional da campanha e amplia o espaço para que os outros quatro concorrentes apresentem propostas e busquem maior projeção diante do eleitorado.
Púlpitos de Lula e Flávio ficarão vazios
Mesmo com as ausências, a Band decidiu preservar no cenário os lugares previamente reservados a Lula e Flávio Bolsonaro.
O posicionamento havia sido definido por sorteio realizado com representantes das campanhas.
Na visão do telespectador, a disposição prevista é:
Renan Santos | Lula | Flávio Bolsonaro | Ronaldo Caiado | Augusto Cury | Romeu Zema
Com Lula e Flávio ausentes, portanto, os dois púlpitos centrais reservados a eles permanecerão vazios.
A legislação eleitoral não obriga um candidato a participar de debates. A ausência também não impede a realização do programa, desde que sejam cumpridas as regras relativas aos convites e à participação dos demais concorrentes.
Por que Lula não irá
A campanha do presidente Lula decidiu não participar do encontro.
Entre as justificativas atribuídas à estratégia petista está a avaliação de que, no formato do debate, o presidente poderia se tornar o principal alvo dos demais adversários e teria condições desfavoráveis para responder simultaneamente aos ataques.
A campanha também apresentou questionamentos sobre os critérios utilizados para a inclusão de alguns participantes convidados pela emissora.
A ausência em debates não é inédita na trajetória eleitoral de Lula. Em 2006, quando disputava a reeleição, o então presidente também deixou de participar de confrontos televisivos no primeiro turno.
A decisão de não comparecer, entretanto, poderá ser explorada politicamente pelos adversários durante o próprio debate e ao longo dos próximos dias de campanha.
Flávio também fica fora
Flávio Bolsonaro igualmente não estará no estúdio.
A estratégia adotada pelo candidato do PL vinha sendo condicionada à participação de Lula. A avaliação de sua campanha era de que, sem o presidente no palco, Flávio poderia se transformar no principal alvo dos candidatos concorrentes no campo da direita.
Com os dois fora do primeiro encontro, o confronto direto entre os principais nomes que aparecem à frente nas pesquisas eleitorais fica adiado.
A ausência simultânea de Lula e Flávio será, por si só, um dos principais elementos políticos do debate.
Caiado, Zema, Renan e Cury ganham espaço
Para os quatro participantes, a noite representa uma oportunidade de exposição nacional justamente no início da fase mais intensa da campanha.
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, chega ao debate defendendo principalmente sua experiência administrativa e uma agenda marcada por segurança pública, agronegócio e gestão.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, tenta ampliar nacionalmente uma imagem associada à gestão empresarial, redução do tamanho do Estado e liberalismo econômico.
Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e candidato do recém-criado Partido Missão, terá no debate uma de suas maiores exposições nacionais até agora e deverá buscar diferenciação tanto em relação ao governo quanto aos candidatos tradicionais da direita.
Já o escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante, disputa sua primeira eleição presidencial e chega ao confronto com o desafio de apresentar ao eleitor um perfil político ainda pouco conhecido em comparação aos adversários com trajetória mais longa na vida pública.
Sem Lula e Flávio no palco, Caiado, Zema, Renan e Cury terão mais espaço para disputar diretamente a atenção do eleitor e estabelecer diferenças programáticas entre si.
Debate terá confronto direto
A Band modificou o formato de seus debates para ampliar a liberdade dos candidatos e reduzir respostas excessivamente engessadas.
Os jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, âncoras do Jornal da Band, serão os mediadores.
Em uma das etapas, os candidatos responderão a perguntas programáticas feitas pelos mediadores. Cada concorrente terá dois minutos para apresentar sua resposta.
Em outro momento, haverá maior liberdade para o confronto.
As perguntas terão duração de até um minuto, enquanto o candidato responsável pela resposta terá um período de quatro minutos, que poderá administrar entre resposta e tréplica.
Também estão previstos confrontos diretos entre os presidenciáveis e perguntas formuladas por jornalistas.
O objetivo declarado pela emissora é ampliar o espaço para apresentação de ideias, contrapontos e propostas sobre os principais problemas nacionais.
Economia e segurança devem estar entre os temas centrais
Embora as perguntas específicas não tenham sido antecipadas, alguns assuntos chegam naturalmente ao debate como prioridades da campanha eleitoral.
A segurança pública ganhou protagonismo nos últimos dias, inclusive nos discursos de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro.
Economia, emprego, inflação, saúde, educação, contas públicas, programas sociais, infraestrutura, relações internacionais e combate ao crime organizado também estão entre os temas que devem ocupar espaço na disputa presidencial.
Para os quatro participantes presentes, haverá ainda outro desafio: utilizar o tempo de televisão não apenas para criticar os ausentes, mas para demonstrar ao eleitor quais seriam suas prioridades concretas em um eventual governo.
Onde assistir
O debate terá ampla transmissão nacional e digital.
Na televisão aberta, começa às 20h, pela Band, com participação de veículos integrantes do pool de transmissão.
O evento também poderá ser acompanhado pela:
- BandNews TV;
- BandNews FM;
- Rádio Bandeirantes;
- Band.com.br;
- Bandplay;
- YouTube do Band Jornalismo;
- Kwai.
O pool também envolve TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e Estadão.
A cobertura digital começa às 19h, uma hora antes do debate, acompanhando a chegada dos candidatos, movimentação nos bastidores e preparação para o confronto.
Após o encerramento, previsto para aproximadamente 22h, a Band terá uma edição especial do Canal Livre, dedicada à análise e repercussão do encontro.
Google acompanhará repercussão em tempo real
Outra novidade será a chamada Sala Digital, projeto desenvolvido em parceria entre a Band e o Google.
Durante a transmissão, a ferramenta acompanhará tendências de buscas relacionadas aos candidatos e aos assuntos mencionados no debate.
A proposta é observar, praticamente em tempo real, quais declarações e temas despertam maior interesse entre os usuários.
Em uma eleição em que trechos curtos de debates rapidamente se transformam em vídeos, memes e conteúdo para redes sociais, a repercussão digital se tornou parte estratégica do próprio confronto eleitoral.
Uma frase pronunciada no estúdio pode alcançar milhões de pessoas poucas horas depois por meio de cortes publicados no TikTok, Instagram, X, YouTube e outras plataformas.
Pablo Marçal está impedido de participar de debates
Outro nome envolvido na disputa presidencial, Pablo Marçal (PRTB), não estará no encontro.
O Tribunal Superior Eleitoral determinou, em decisão cautelar, que Marçal fique impedido de participar de debates, utilizar recursos dos fundos eleitoral e partidário e acessar a propaganda eleitoral gratuita enquanto a Justiça analisa sua situação eleitoral.
A decisão ocorre em meio à discussão sobre seu registro de candidatura e sua condição de elegibilidade.
O mérito do registro ainda deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral.
Band mantém tradição iniciada em 1989
A realização do primeiro debate presidencial é uma tradição histórica da Bandeirantes.
A emissora protagonizou, em 1989, o primeiro debate televisionado entre candidatos à Presidência após a redemocratização.
Desde então, os confrontos realizados pela televisão passaram a integrar de forma definitiva as campanhas eleitorais brasileiras.
Em 2026, o cenário mudou profundamente com o crescimento das redes sociais, transmissões digitais e conteúdos sob demanda, mas os debates continuam sendo um dos poucos momentos em que os candidatos precisam dividir o mesmo espaço e responder diretamente aos adversários.
Debate acontece a seis semanas da eleição
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro.
Depois do encontro da Band, outros debates presidenciais estão previstos para as próximas semanas.
O calendário divulgado até agora inclui confrontos organizados por outros grupos de comunicação em setembro e um último debate previsto para 1º de outubro, três dias antes da votação.
Isso significa que o encontro deste domingo não deverá definir sozinho os rumos da eleição, mas terá importância estratégica por ser o primeiro grande teste nacional de confronto entre candidaturas.
Uma noite decisiva principalmente para quem estará no palco
A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro reduz o confronto direto entre os dois principais polos da disputa, mas não diminui necessariamente a importância política do programa.
Para Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury, o debate oferece algo particularmente valioso em uma eleição presidencial: tempo de exposição nacional sem a presença dos dois adversários que hoje concentram grande parte da atenção pública.
Cada candidato chegará ao estúdio com um objetivo diferente.
Alguns tentarão ampliar conhecimento nacional. Outros buscarão demonstrar capacidade de governar, disputar espaço dentro de seu próprio campo político ou convencer o eleitor de que a eleição não precisa ficar restrita aos dois nomes que polarizam a corrida.
A primeira noite de debate presidencial de 2026, portanto, terá uma particularidade: dois dos candidatos mais esperados não estarão no palco — e justamente essa ausência poderá abrir espaço para que os quatro presentes tentem mudar a dinâmica da eleição.
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