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El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e acende alerta para chuva extrema no Paraná

Fenômeno já está ativo, deve ganhar força durante a primavera e pode permanecer até março de 2027; Sul do Brasil terá maior risco de chuva excessiva, tempestades, granizo, vendavais e inundações

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BRASIL, 22 de agosto de 2026 — O El Niño de 2026 está se intensificando rapidamente no Oceano Pacífico e poderá se transformar em um dos episódios mais fortes já registrados desde o início da série histórica moderna, em 1950.

A mais recente atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027.

Mais significativo ainda é outro dado: os modelos indicam 69% de probabilidade de o atual episódio atingir ou superar uma anomalia de 2,5°C no trimestre outubro-novembro-dezembro, nível que poderá colocá-lo acima dos grandes El Niños observados desde 1950.

O fenômeno começou oficialmente em junho e já está alterando o comportamento das chuvas no Brasil.

Para a Região Sul — e particularmente para o Paraná — o sinal de alerta é claro: a tendência é de chuva acima da média e maior frequência de eventos meteorológicos severos nos próximos meses.

O que está acontecendo no Oceano Pacífico?

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma grande área do Oceano Pacífico Equatorial ficam persistentemente mais quentes do que o normal.

Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica em escala planetária e altera a distribuição de chuvas, temperaturas e ventos em diferentes regiões do mundo.

Em julho, a temperatura da região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para monitoramento do fenômeno, já estava 1,4°C acima da média.

Em outra região do Pacífico, chamada Niño 1+2, a anomalia chegou a 2,9°C.

Além do oceano mais quente, alterações nos ventos e na circulação atmosférica confirmam que oceano e atmosfera já estão atuando conjuntamente, caracterizando um El Niño em fortalecimento.

Pode ser o maior desde 1950

A possibilidade de um evento excepcional é um dos pontos que mais chamam atenção na atualização climática.

A NOAA calcula que existe 69% de probabilidade de o El Niño alcançar uma intensidade histórica no trimestre entre outubro e dezembro de 2026.

Isso significa atingir uma anomalia média igual ou superior a 2,5°C em um dos indicadores utilizados pela agência americana.

Essa projeção, porém, precisa ser interpretada corretamente.

Não significa que seja certo que 2026 produzirá o maior El Niño da história moderna.

Significa que, de acordo com os modelos disponíveis atualmente, existe uma probabilidade elevada de isso acontecer.

As previsões continuarão sendo atualizadas à medida que novas medições do oceano e da atmosfera forem incorporadas.

Paraná está entre as áreas de maior atenção

No Brasil, os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões.

Historicamente, o fenômeno favorece maior quantidade e frequência de chuva no Sul do país, enquanto partes do Norte e Nordeste podem enfrentar precipitação mais irregular e períodos de seca.

No Paraná, o Simepar aponta que a chuva deverá permanecer acima da média em todas as regiões do Estado até dezembro de 2026.

Os maiores volumes são esperados especialmente no:

  • Oeste;
  • Sudoeste;
  • Centro-Sul.

Isso não significa que Curitiba, Araucária e os demais municípios da Região Metropolitana estejam fora da área de atenção.

O cenário de chuva acima da climatologia alcança todo o Paraná, embora a intensidade dos eventos varie conforme a passagem de frentes frias, sistemas de baixa pressão e outras condições atmosféricas.

Araucária e Região Metropolitana precisam acompanhar alertas

Para Araucária, Curitiba e demais cidades da Região Metropolitana, o principal efeito esperado não é uma chuva permanente, mas maior frequência de períodos instáveis e possibilidade de eventos intensos em curtos intervalos.

Entre os fenômenos que podem ocorrer com maior frequência durante episódios fortes de El Niño estão:

  • chuva volumosa;
  • tempestades severas;
  • rajadas fortes de vento;
  • grande quantidade de raios;
  • granizo;
  • alagamentos;
  • enxurradas;
  • inundações;
  • deslizamentos em áreas vulneráveis.

É importante ressaltar que o El Niño não provoca sozinho cada tempestade.

O fenômeno altera as condições gerais da atmosfera e aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos. Cada episódio de chuva ou temporal depende também de sistemas meteorológicos específicos.

Julho já mostrou sinais do fenômeno

Os efeitos já começaram a aparecer.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, as chuvas registradas em julho ficaram entre 30% e 90% acima da média em diferentes áreas da Região Sul.

No Paraná, os números também chamaram atenção.

Entre as 45 estações meteorológicas do Simepar com pelo menos cinco anos de funcionamento, somente quatro registraram chuva abaixo da média em julho:

Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba.

Nas outras 41 estações, a precipitação superou a média histórica.

Em Palmas, no Centro-Sul do Estado, foram registrados 311 milímetros de chuva em julho, o maior volume para o mês desde o início da operação da estação meteorológica local, há 28 anos.

Os dados mostram que a influência do El Niño já começou antes mesmo de o fenômeno atingir sua intensidade máxima prevista.

Primavera deverá ser o período mais crítico no Paraná

A maior preocupação está concentrada na primavera.

Historicamente, é justamente entre a primavera e o início do verão que os efeitos do El Niño costumam ficar mais evidentes no Sul do Brasil.

Com um episódio previsto como forte ou muito forte, aumenta a possibilidade de sucessivas áreas de instabilidade atravessarem a região.

Também cresce o risco de formação de sistemas convectivos de mesoescala, grandes aglomerados de tempestades capazes de provocar chuva intensa, raios, vendavais e granizo.

Quando esses sistemas atingem regiões urbanas, os problemas podem aparecer rapidamente.

Uma grande quantidade de chuva em poucas horas pode sobrecarregar sistemas de drenagem, provocar alagamentos e elevar rios e córregos.

Em regiões de encosta, solos saturados aumentam também a possibilidade de movimentos de massa e deslizamentos.

El Niño deve permanecer até 2027

A influência do fenômeno não deverá acabar com a chegada do verão.

As projeções indicam que o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até março de 2027.

No Paraná, o Simepar considera que os efeitos podem continuar durante o primeiro trimestre do próximo ano.

Isso significa que primavera e verão deverão exigir acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e dos alertas de Defesa Civil.

O próprio governo federal recomenda que a população mantenha atualizados os cadastros para recebimento de alertas e conheça rotas de fuga e áreas consideradas de risco.

Calor também pode aumentar

Embora o excesso de chuva seja uma das principais preocupações para o Sul, o El Niño também influencia as temperaturas.

Períodos mais quentes do que o normal poderão ocorrer principalmente nos intervalos entre os eventos de chuva.

Em escala global, a Organização Meteorológica Mundial aponta maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do planeta durante os próximos meses.

O El Niño adiciona calor ao sistema climático em um momento no qual os oceanos globais já apresentam temperaturas elevadas.

Por isso, o fenômeno também é acompanhado internacionalmente pela possibilidade de favorecer ondas de calor e novos extremos de temperatura.

Norte e Nordeste podem enfrentar cenário oposto

Enquanto o Sul se prepara para excesso de chuva, outras regiões brasileiras enfrentam preocupação diferente.

A partir de outubro, o El Niño tende a favorecer chuvas mais irregulares e volumes abaixo da média em partes das regiões Norte e Nordeste.

Esse comportamento pode aumentar a pressão sobre reservatórios, agricultura, navegação, abastecimento e geração de energia em localidades mais vulneráveis à estiagem.

É uma das características do fenômeno: a mesma alteração na circulação atmosférica que favorece excesso de chuva em uma parte do país pode contribuir para deficiência de precipitação em outra.

Agricultura entra em período de atenção

O fortalecimento do El Niño também coloca o setor agrícola em alerta.

No Paraná, chuva excessiva pode afetar culturas de inverno, dificultar operações no campo e comprometer etapas de plantio, desenvolvimento ou colheita.

O trigo está entre as culturas particularmente sensíveis ao excesso de umidade em determinadas fases.

Para as próximas safras, produtores precisarão acompanhar não apenas o volume total de chuva, mas sua distribuição ao longo das semanas.

Períodos prolongados com solo excessivamente úmido podem prejudicar máquinas, favorecer doenças em determinadas culturas e provocar perdas localizadas.

Por outro lado, disponibilidade adequada de água pode beneficiar algumas lavouras quando a precipitação ocorre de maneira regular e sem extremos.

Fenômeno forte não significa desastre inevitável

Apesar das projeções, especialistas ressaltam que a classificação de intensidade do El Niño não funciona como uma previsão automática de desastre.

Um El Niño muito forte aumenta a probabilidade de determinados impactos, mas não permite afirmar antecipadamente onde ocorrerá uma enchente, temporal, granizo ou vendaval.

O comportamento diário da atmosfera continuará determinando cada evento meteorológico.

Essa diferença é fundamental para evitar alarmismo.

A previsão climática trabalha com tendências para períodos de semanas ou meses. Já a previsão meteorológica consegue detalhar os sistemas de chuva e tempestade com antecedência muito menor.

Por isso, quanto mais próximo estiver um evento, maior deverá ser a atenção aos alertas oficiais.

Os próximos meses serão decisivos

O El Niño de 2026 ainda não atingiu sua intensidade máxima.

As projeções indicam fortalecimento durante os próximos meses, com maior intensidade esperada entre a primavera e o início do verão.

Para o Paraná, o cenário coloca municípios, Defesa Civil, produtores rurais e moradores diante de um período que exige planejamento e monitoramento.

As chuvas acima da média observadas desde julho podem ser apenas uma primeira demonstração do padrão esperado para os meses seguintes.

Se as projeções da NOAA se confirmarem, o planeta poderá acompanhar um dos episódios de El Niño mais intensos de toda a série de observações iniciada em 1950.

No Sul do Brasil, e especialmente no Paraná, a principal palavra para os próximos meses será preparação.


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