De Pintinho a Salete das Lápides: nomes curiosos dão um toque de humor às Eleições 2026
No Paraná, Faca na Bota, Solitário, Cris do Corsa e até Da Costa do Perdeu Piá estão entre os nomes que chamam atenção; pelo Brasil, há Vovó Tsuname, Bolsonaro da Shopee, Batata Neles, Farofa, Mick Jagger e Zé Ninguém

BRASIL | ELEIÇÕES 2026 — Em uma eleição marcada por disputas presidenciais, estratégias partidárias, redes sociais e debates acalorados, a criatividade também encontrou espaço na urna eletrônica. Entre milhares de pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral para as Eleições 2026, alguns candidatos escolheram nomes de urna que dificilmente passam despercebidos.
São apelidos, profissões, bordões, referências ao cotidiano e até nomes associados a objetos, alimentos, personalidades e expressões populares. Alguns provocam um sorriso imediato; outros despertam a inevitável pergunta: de onde surgiu esse nome?
E o Paraná tem uma coleção própria.
Paraná tem Pintinho, Faca na Bota, Solitário e muito mais
A Justiça Eleitoral recebeu 1.063 pedidos de registro de candidaturas no Paraná, entre candidatos a governador, vice, senador, deputados federais e estaduais. Desse total, 414 pedidos são para deputado federal e 606 para deputado estadual.
É justamente nas disputas proporcionais que aparecem alguns dos nomes de urna mais curiosos.
Um deles é simplesmente Pintinho. Trata-se de Valdecir Jalasko, candidato a deputado estadual pelo PDT. Natural de Cascavel, ele registrou o apelido curto e direto como identificação eleitoral. Dados provenientes da Justiça Eleitoral confirmam a candidatura e o nome de urna.
Também em Cascavel aparece Fão do Bolsonaro, nome de urna escolhido por Crysthofour Pereira de Almeida, candidato a deputado estadual pelo PL. A denominação combina um apelido com referência direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em Umuarama, Silvia Cristina Alves, do Republicanos, escolheu Cris do Corsa. A candidata trabalha como motorista de aplicativo e incorporou à identidade eleitoral a referência ao conhecido automóvel Chevrolet Corsa.
Na mesma lista aparecem ainda nomes como Ademir Paçoca, Dani Pato, Dedé da Calha, Baixinho da Dalabona, Dirceu da Aposentadoria, Fernando Sangue Laranja, Flavia da Zombie Walk e Gil Loubach Véio do Colchão entre os postulantes à Assembleia Legislativa.
Da Costa do Perdeu Piá
Entre os candidatos paranaenses à Câmara dos Deputados, uma das identificações que mais chama atenção pela sonoridade regional é Da Costa do Perdeu Piá.
O nome foi registrado por Gustavo Silveira da Costa, do Podemos. O uso de “piá”, expressão fortemente associada ao vocabulário paranaense, torna o nome de urna particularmente reconhecível no estado.
Mas a concorrência pela criatividade é grande.
A lista traz ainda Adilson do Bar Restaurante, Delegado Tito Xerifão, Fubá, Izac Araújo O Homem do Chicote e Jajá da Saúde.
Faca na Bota
Outra candidatura que dificilmente passa despercebida é a de Flávio Ferrari – Faca na Bota, nome de urna do jornalista Flavio Duben Ferrari, candidato a deputado federal pelo União Brasil.
Natural de Assis Chateaubriand, Ferrari tem trajetória profissional ligada à comunicação no Oeste do Paraná. O pedido de registro apresentado à Justiça Eleitoral traz o número 4477.
Solitário quer companhia nas urnas
O caminhoneiro Marcelo da Rosa, do PSB, optou por um nome ainda mais econômico: Solitário.
Ele disputa uma cadeira de deputado federal pelo Paraná. O apelido também aparece identificado em seu caminhão e está relacionado à imagem construída pelo candidato ao longo da vida nas estradas.
Apesar do nome, naturalmente, a missão eleitoral de Solitário será justamente encontrar companhia: a dos eleitores.
Salete das Lápides
Talvez nenhum nome paranaense una profissão e identificação eleitoral de maneira tão direta quanto Salete das Lápides.
Salete de Oliveira Lacerda, comerciante de Curitiba, pediu registro para disputar uma vaga de deputada federal pelo Podemos, com o número 2030. A candidata atua no comércio de lápides, o que explica a origem da denominação.
E, inevitavelmente, o nome tornou-se um dos mais comentados entre os registros paranaenses.
E ainda tem Lambe-Lambe
Outro paranaense entrou inclusive em levantamentos nacionais sobre os nomes mais incomuns de 2026.
Lambe-Lambe é o nome de urna de Jhony Henrique Mariano da Cunha, candidato a deputado federal pelo PSB.
A lista paranaense mostra que, quando o assunto é tornar um nome memorável, há estratégias para todos os gostos.
Pelo Brasil, criatividade não tem fronteiras
Se o Paraná apresenta uma seleção respeitável, o restante do país elevou ainda mais a concorrência.
Em Minas Gerais, Scheile Aparecida Soares Brandão, candidata a deputada estadual pelo Podemos, aparece como Vovó Tsuname.
No Rio de Janeiro, Sidney Morgado Nascimento Filho decidiu transformar o antigo apelido Batata em uma espécie de palavra de ordem eleitoral: Batata Neles.
Em Mato Grosso, Vilmar Rigo, candidato a deputado federal pelo Novo e conhecido pela semelhança física com Jair Bolsonaro, registrou um nome capaz de dispensar maiores explicações: Bolsonaro da Shopee.
Minas Gerais também tem Plínio Trump, nome usado por Plínio Vicentin Junior, candidato a deputado federal pelo Novo e associado visualmente ao presidente norte-americano Donald Trump.
Gugu, Faustão, Xuxa e Mick Jagger nas urnas
O eleitor que olhar rapidamente alguns nomes poderá até imaginar estar diante de uma programação de televisão ou festival musical.
Em Sergipe, Liberato Ferreira Antão registrou-se como Gugu Liberato para concorrer a deputado estadual pelo Avante.
Em Minas Gerais, Geraldo Faustão Viana Nicodemos disputa uma vaga de deputado estadual pelo PP utilizando Faustão — nesse caso, Faustão faz parte do próprio nome civil informado pelo candidato.
No Amazonas, Milton Rogério Moreira Pinto concorre ao Senado como Xuxa do Amazonas.
E Goiás tem Walcy Vieira – Mick Jagger, nome eleitoral de Walcy Calixto Vieira, candidato a deputado estadual e conhecido como sósia do vocalista dos Rolling Stones.
Tem Farofa, Macarrão e até Macarrã do Esporte
A gastronomia também chegou às urnas.
Há Farofa, candidato a deputado federal pelo PL em São Paulo, além de candidatos chamados Macarrão em São Paulo e no Pará.
Em Goiás, aparece ainda Macarrã do Esporte, candidato a deputado estadual.
Para completar o cardápio, o Rio de Janeiro oferece o já citado Batata Neles.
Quem Quem, Gordinho do Momento e Zé Ninguém
A relação nacional ainda reserva Quem Quem, no Piauí; Gordinho do Momento, na Bahia; Fernando Monstrinho, em São Paulo; Bad Boy, na Bahia; Cremosinho, no Ceará; Trezoitão, em Pernambuco; e Zé Ninguém, no Rio de Janeiro.
No caso de Zé Ninguém, o nome de urna pertence a Emerson Cruz de Oliveira, candidato a deputado federal pelo Mobiliza. Apesar do apelido, ele está longe de ser desconhecido da Justiça Eleitoral: os registros apontam diversas participações anteriores em eleições.
Mas vale qualquer nome?
Não.
A legislação eleitoral permite que o candidato utilize prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou o nome pelo qual seja conhecido.
A criatividade, entretanto, tem limites.
Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, o nome destinado à urna pode ter no máximo 30 caracteres, contando os espaços, não pode deixar dúvida sobre a identidade do candidato, atentar contra o pudor nem ser considerado ridículo ou irreverente.
Isso significa que uma expressão incomum pode ser aceita quando representa efetivamente a identidade pública pela qual aquela pessoa é reconhecida.
Registro não significa candidatura definitivamente deferida
Outro cuidado importante é que os nomes apresentados à Justiça Eleitoral não significam necessariamente que todos os registros estejam definitivamente aprovados.
Após os pedidos, a Justiça Eleitoral analisa documentação, condições de elegibilidade e eventuais impugnações antes de decidir pelo deferimento ou indeferimento.
Por isso, a situação individual dos candidatos pode sofrer alterações no DivulgaCandContas ao longo das próximas semanas.
Criatividade também é estratégia eleitoral
Por trás dos nomes divertidos existe uma estratégia bastante séria: ser lembrado.
Em uma eleição com centenas de concorrentes aos cargos proporcionais, transformar profissão, apelido, atividade comercial, bordão ou característica pessoal em nome de urna pode facilitar a identificação do candidato.
É por isso que aparecem tantas expressões como “da Saúde”, “Professor”, “do Povo”, referências profissionais e apelidos usados há anos nas comunidades onde os candidatos vivem. No Paraná, essa estratégia fica evidente na extensa relação de nomes registrados.
No fim das contas, entre Pintinho, Faca na Bota, Solitário, Salete das Lápides, Lambe-Lambe, Vovó Tsuname, Batata Neles, Farofa e Zé Ninguém, as Eleições 2026 mostram que até a sisuda burocracia eleitoral brasileira pode reservar momentos de criatividade.
O nome pode provocar curiosidade ou até arrancar um sorriso. Na urna, porém, começa a parte séria: caberá ao eleitor pesquisar quem está por trás dele, conhecer suas propostas e decidir o voto.
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