Doações de sangue crescem quase 15% no Paraná, mas Hemepar reforça chamado por doadores regulares
Estado alcançou 214 mil bolsas coletadas em 2025 e já supera 142 mil neste ano; tipos O positivo e O negativo continuam entre os mais demandados pela rede hospitalar

O número de doações de sangue vem crescendo no Paraná, mas o avanço não elimina uma necessidade permanente da rede pública de saúde: manter a chegada de doadores durante todo o ano.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que o volume de bolsas coletadas passou de 187.128 em 2023 para 214.377 em 2025, uma expansão próxima de 15% em apenas dois anos.
Em 2024, haviam sido registradas 203.925 bolsas.
A tendência positiva continua em 2026. Até esta terça-feira (25), a Hemorrede Paranaense já havia contabilizado mais de 142.318 bolsas de sangue.
Mesmo com o crescimento, o Hemepar alerta que a estabilidade dos estoques depende da regularidade das doações, e não apenas de mobilizações realizadas quando os bancos de sangue entram em situação crítica.
Sangue não pode ser produzido artificialmente
Diferentemente de medicamentos e outros insumos hospitalares, o sangue não pode ser produzido industrialmente.
Toda bolsa utilizada em uma cirurgia, tratamento oncológico, transplante, atendimento a vítima de acidente ou outra emergência depende necessariamente de uma pessoa que decidiu doar.
Além disso, sangue e seus componentes possuem prazo limitado de armazenamento.
Por isso, mesmo quando os estoques estão em níveis considerados adequados, novas doações precisam entrar continuamente na rede para substituir as bolsas utilizadas ou que chegam ao limite de validade.
Essa é uma das razões pelas quais o Hemepar tenta transformar o doador ocasional em um doador frequente.
Tipos O+ e O- exigem atenção constante
Entre as tipagens que historicamente exigem maior reposição estão o O positivo (O+) e o O negativo (O-).
O O+ é um dos tipos sanguíneos mais encontrados na população brasileira e, consequentemente, também está entre os mais utilizados pelos hospitais.
Já o sangue O negativo tem uma característica especialmente importante em situações emergenciais.
Ele pode ser utilizado em pacientes de diferentes grupos sanguíneos quando não há tempo suficiente para determinar a tipagem da pessoa que precisa de uma transfusão.
Por isso, ambulâncias, pronto-socorros, centros cirúrgicos e serviços de trauma dependem de uma reserva constante desse tipo sanguíneo.
Apesar da atenção especial a O+ e O-, pessoas de todos os tipos sanguíneos são necessárias.
Rede atende mais de 380 hospitais no Paraná
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná coordena uma estrutura formada por 23 unidades da Hemorrede distribuídas pelo Estado.
O sangue coletado nessas unidades é processado, testado, armazenado e posteriormente distribuído para mais de 380 hospitais públicos, privados e filantrópicos.
Isso significa que uma doação realizada em uma das unidades da rede pode terminar sendo utilizada para salvar uma pessoa internada em outra cidade ou região.
Quando determinado hemocentro apresenta redução mais acentuada de alguma tipagem, a própria Hemorrede pode realizar o remanejamento de bolsas entre unidades para equilibrar os estoques.
Uma bolsa pode beneficiar diferentes pacientes
Durante uma doação são coletados aproximadamente 450 mililitros de sangue.
O material não necessariamente será destinado integralmente a apenas uma pessoa.
Depois da coleta, o sangue pode ser separado em diferentes componentes, como hemácias, plasma e plaquetas.
Cada componente possui indicações clínicas específicas.
Isso permite que uma única doação possa contribuir para o tratamento de diferentes pacientes.
O sangue é utilizado em uma grande variedade de situações hospitalares, entre elas cirurgias cardíacas, transplantes, procedimentos ortopédicos e neurológicos, tratamentos contra o câncer e atendimentos de emergência envolvendo traumas graves.
Quem pode doar?
De maneira geral, podem se candidatar à doação pessoas que:
- tenham entre 16 e 69 anos;
- pesem mais de 51 quilos;
- estejam em boas condições de saúde;
- apresentem documento oficial com foto.
Pessoas com 16 e 17 anos precisam estar acompanhadas ou atender às regras específicas de autorização do responsável legal.
O candidato passa por uma triagem antes da coleta.
A avaliação serve para verificar se existem condições temporárias ou permanentes que impeçam a doação naquele momento.
A medida protege tanto o doador quanto a pessoa que posteriormente receberá o sangue.
Doador deve estar alimentado e descansado
No dia da coleta, o Hemepar orienta que o doador esteja descansado, alimentado e hidratado.
A recomendação é evitar alimentos muito gordurosos nas quatro horas anteriores ao procedimento.
Também é importante apresentar documento oficial com fotografia.
Antes da coleta, o candidato passa por cadastro, triagem clínica e um teste rápido para verificar, entre outros aspectos, a possibilidade de anemia.
Cumpridos os critérios, é realizada a doação.
Todo o processo costuma levar aproximadamente uma hora, considerando cadastro, triagem, coleta e período de recuperação após o procedimento.
Curitiba possui hemocentro com atendimento de segunda a sábado
Na Região Metropolitana, uma das principais referências é o Hemocentro Coordenador do Hemepar, em Curitiba.
A unidade fica na Travessa João Prosdócimo, 145, no Alto da XV.
O atendimento aos doadores ocorre de segunda-feira a sábado, das 7h30 às 18h, com prioridade para quem realiza agendamento pela internet.
Também existe possibilidade de atendimento sem agendamento, conforme a capacidade técnica da unidade no dia.
Outro ponto de coleta funciona no Biobanco do Hospital de Clínicas da UFPR, no Alto da Glória.
Regularidade é tão importante quanto aumento das doações
O crescimento de aproximadamente 15% registrado entre 2023 e 2025 mostra maior participação dos paranaenses nas campanhas de doação.
O desafio agora é transformar esse crescimento em estabilidade.
Os estoques podem sofrer variações rápidas, principalmente em períodos de férias, feriados prolongados, inverno e épocas de maior circulação nas estradas.
Também existem momentos em que a demanda hospitalar cresce de forma inesperada.
Por isso, o Hemepar reforça que a melhor maneira de manter a segurança da rede é não esperar uma emergência ou uma campanha específica para procurar uma unidade.
A doação regular permite que hospitais mantenham reservas suficientes para atender tanto os procedimentos programados quanto situações imprevisíveis.
Serviço
Onde doar em Curitiba: Hemepar — Hemocentro Coordenador
Endereço: Travessa João Prosdócimo, 145 — Alto da XV
Horário: segunda-feira a sábado, das 7h30 às 18h
Telefone: (41) 3281-4000
Agendamento: disponível pela internet nos canais oficiais do Governo do Paraná
Quem pode doar: pessoas entre 16 e 69 anos, com mais de 51 quilos e em boas condições de saúde, observados os critérios da triagem.
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