Apoio de Gustavo Botogoski não se converte em votos, e candidatos fora do governo superam nomes do prefeito em Araucária
Mesmo com mobilização de secretários e comissionados da Prefeitura, nomes apoiados por Gustavo Botogoski ficam atrás de candidaturas independentes; vice-prefeita Tati supera Alisson Wandscheer na cidade

O primeiro turno das Eleições 2026 produziu um diagnóstico político adverso para a administração municipal. Apesar do envolvimento direto do prefeito Gustavo Botogoski, de integrantes do primeiro escalão e de ocupantes de cargos comissionados ao longo de toda a campanha, os candidatos encampados oficialmente pelo governo não conseguiram transformar a força da máquina pública em primazia eleitoral dentro de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
A apuração no colégio eleitoral do município revelou que candidaturas desvinculadas da engrenagem da Prefeitura alcançaram desempenho superior ao dos nomes apoiados pelo chefe do Executivo.
O principal termômetro dessa dinâmica ocorreu na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O pleito colocou em rota de colisão direta o prefeito e sua vice-prefeita, Tatiana Assuiti, a Tati, apenas dois anos após vencerem juntos a eleição municipal de 2024.
Politicamente afastada da articulação de Botogoski, Tati concorreu a deputada estadual de forma independente da administração e sem o aparato da Prefeitura. No sentido oposto, a cúpula do governo concentrou esforços institucionais e políticos na campanha de reeleição do deputado estadual Alisson Wandscheer, com carreatas, distribuição ostensiva de materiais e atuação ativa de comissionados nas ruas.
A contagem dos votos dentro de Araucária, no entanto, apontou a inversão de forças. Tati ultrapassou a barreira dos 4 mil votos no município, ancorada em base eleitoral própria, e obteve votação superior à registrada por Alisson Wandscheer entre os eleitores da cidade, impondo um revés direto ao principal projeto legislativo abraçado pelo prefeito.
O cenário de baixo retorno eleitoral também se repetiu com outros nomes que contaram com a simpatia e o apoio de alas ligadas ao grupo de Gustavo. Na disputa para a Alep, a deputada estadual Marli Paulino somou apenas 488 votos no município e não conseguiu a reeleição. Para a Câmara dos Deputados, Luizão Goulart alcançou 779 votos em Araucária, refletindo a dificuldade do bloco governista em concentrar o eleitorado local em torno de suas apostas regionais.
Esse padrão de dispersão do voto fortaleceu candidaturas que disputaram fora da órbita do governo municipal. Nomes de apelo direto na cidade, como Leandro da Academia para deputado estadual e opções locais para a bancada federal, demonstraram maior tração junto ao eleitorado de Araucária do que as candidaturas apadrinhadas pela Prefeitura. Na corrida a deputado federal, a tentativa da gestão de alavancar Toninho Wandscheer enfrentou resistência semelhante, com os votos da cidade migrando para concorrentes autônomos.
O distanciamento entre o prefeito e sua vice também se estendeu à eleição majoritária para o Governo do Paraná. Tati marchou ao lado de Sergio Moro (PL), que acabou sendo o candidato a governador mais votado no município, concentrando 45,35% dos votos válidos em Araucária. Já Gustavo Botogoski atuou alinhado à campanha de Sandro Alex, cuja candidatura não repetiu a mesma força nas urnas da cidade, refletindo a desidratação do palanque oficial no recorte municipal.
Ao longo da campanha, a presença recorrente de integrantes da administração em agendas eleitorais foi alvo de críticas da oposição local. Finalizada a contagem, os dados oficiais demonstram que o eleitor de Araucária optou pela autonomia nas escolhas de bancada, impondo limites práticos à influência do governo municipal no xadrez político regional.
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