Governo amplia socorro a exportadores: R$ 18,5 bilhões para enfrentar tarifaço dos EUA
Terceira etapa do Plano Brasil Soberano injeta recursos do Tesouro e do BNDES em setores atingidos pelas sobretaxas de Donald Trump e por outras turbulências do comércio internacional

O governo federal deu, nesta quarta-feira (22/7), mais um passo para blindar a indústria e o agronegócio brasileiros dos efeitos da guerra comercial aberta pelos Estados Unidos. Foi lançada a terceira fase do Plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito destinadas a empresas prejudicadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
Do total, R$ 13,5 bilhões sairão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões virão de recursos próprios do BNDES. Parte do dinheiro corresponde a sobras não utilizadas na primeira edição do programa e à renegociação de dívidas rurais, segundo apurou o Portal Conexão Geral.
Para que servem os recursos
O crédito poderá financiar capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica e adaptação de produtos e processos — inclusive para cumprir exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade cobradas por mercados estrangeiros. Também está prevista verba para a prospecção de novos destinos de exportação, num movimento de diversificação diante da perda de competitividade no mercado americano.
A ampliação do programa depende de uma medida provisória já assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enviada ao Congresso Nacional. Caberá ao BNDES desenhar o plano de aplicação do dinheiro, que passará por um conselho interministerial ainda a ser formalizado por decreto. A regulamentação ficará a cargo do Conselho Monetário Nacional.
Quem entra na lista de beneficiados
O foco da nova etapa são as empresas atingidas pelas Seções 232 e 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, que abrangem setores como aço, alumínio, automóveis, móveis, madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, cerâmica, plástico, calçados, papel e açúcar.
O programa também alcança negócios afetados por conflitos internacionais — em especial exportadores para países do Golfo Pérsico — e segmentos considerados estratégicos para a balança comercial, como fertilizantes, minerais críticos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivo, eletrônicos e máquinas elétricas. Durante a tramitação no Congresso, o alcance da política foi ampliado para incluir exportadores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura, mineração e cooperativas ligadas a essas atividades.
Histórico do programa
Criado em 2025 para proteger empresas, empregos e a capacidade exportadora do país diante das mudanças no comércio global, o Plano Brasil Soberano nasceu com R$ 16 bilhões em crédito. A segunda fase, lançada neste ano, ampliou o orçamento para R$ 21 bilhões e já reúne R$ 19,5 bilhões em pedidos protocolados, dos quais R$ 10,6 bilhões foram aprovados pelo BNDES — 313 dos 677 projetos apresentados são de micro, pequenas e médias empresas.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, associou a nova rodada de crédito à necessidade de proteger postos de trabalho e abrir novas frentes comerciais, destacando que “o Brasil bateu recorde de exportações” mesmo com o cenário adverso no exterior. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu o desenho do programa a um trabalho de escuta iniciado há um ano, afirmando que a equipe econômica “tem se reunido com os setores produtivos para entender suas demandas e buscar soluções” desde o anúncio da primeira tarifa.
O que vem a seguir
Com a medida provisória em tramitação no Congresso e a regulamentação prometida para o “curtíssimo prazo” pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o mercado aguarda a definição de quanto cada setor receberá — decisão que ficará nas mãos do futuro conselho interministerial.
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