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OPINIÃO · COLUNA

A Conta Invisível do Extremismo: Quando a Política Virou Guerra e o Cidadão Pagou a Fatura

Quando a disputa ideológica se sobrepõe à gestão pública e à diplomacia técnica, a conta do extremismo cai no bolso do cidadão. Do protecionismo internacional à polarização doméstica, o radicalismo trava o desenvolvimento e encarece a vida real.

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Há um fenômeno silencioso, porém devastador, que vem sequestrando o debate público global: a substituição da diplomacia técnica e da gestão pragmática pelo radicalismo ideológico. Quando a política deixa de ser a arte da negociação para se tornar uma arena de trincheiras e slogans imperativos, as consequências raramente ficam restritas ao campo das ideias. Elas cruzam a fronteira da retórica e batem diretamente na porta da economia real, afetando a mesa, o emprego e a qualidade de vida das pessoas.

O exemplo mais emblemático dessa engrenagem destrutiva reflete-se na escalada das guerras tarifárias e nos embates comerciais internacionais promovidos por discursos protecionistas e retaliações ideológicas. A imposição de barreiras e sobretaxas — muitas vezes alimentadas por narrativas extremadas e rivalidades políticas — cria ruídos diplomáticos graves que desestabilizam cadeias produtivas. O resultado imediato? Insegurança jurídica, encarecimento de insumos, perda de divisas e desconfiança de investidores globais que enxergam a imprevisibilidade como um risco inaceitável.

No Brasil, esse cenário ganha contornos ainda mais sensíveis. Quando a política doméstica se rende à polarização estridente — em que decisões estratégicas passam a servir ao cálculo eleitoral em vez de atender aos interesses do país —, a capacidade de resposta nacional fica gravemente comprometida. O bate-boca apaixonado nas redes sociais pode gerar engajamento instantâneo, mas não gera empregos nem amortece os impactos da inflação ou das oscilações cambiais que encarecem a cesta básica.

Os prejuízos sociais do radicalismo manifestam-se em diferentes camadas da sociedade:

  • Paralisação de Agendas Estruturantes: Reformas essenciais, investimentos em infraestrutura e políticas públicas de longo prazo perdem espaço no Congresso e no Poder Executivo para pautas meramente panfletárias e revanchistas.
  • Fuga de Capitais e Desemprego: Investidores priorizam mercados estáveis. A instabilidade institucional gerada pela radicalização afasta o capital produtivo, restringindo a criação de novas vagas de trabalho.
  • Corrosão do Poder de Compra: Barreiras comerciais e tensões geopolíticas aumentam os custos de importação e exportação, alimentando a inflação e penalizando desproporcionalmente as famílias de menor renda.
  • Erosão da Coesão Social: A lógica do “nós contra eles” destrói o diálogo institucional e a confiança entre cidadãos, transformando o espaço público em um ambiente de hostilidade em vez de cooperação.

Superar essa armadilha exige maturidade coletiva. O antídoto contra o radicalismo não é a omissão, mas o resgate da razoabilidade, da diplomacia técnica e da centralidade das necessidades humanas nas decisões do Estado. País algum constrói prosperidade duradoura sobre o terreno movediço do extremismo. Está na hora de substituir o ruído das torcidas pela sobriedade dos resultados.

Laécio Monteiro | Jornalista | MTB 11120-PR | Apresentador e Radialista | DRT 7640-PR | Escritor

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