Eleição em Israel termina sem maioria clara e abre disputa por alianças no Parlamento
Por Laécio Monteiro — Portal Conexão Geral Imagem ilustrativa: bandeira de Israel. A eleição parlamentar de Israel terminou sem que nenhum bloco assegurasse, até o momento, os 61 assentos necessários para formar maioria na Knesset, o Parlamento de…

Por Laécio Monteiro — Portal Conexão Geral

A eleição parlamentar de Israel terminou sem que nenhum bloco assegurasse, até o momento, os 61 assentos necessários para formar maioria na Knesset, o Parlamento de 120 cadeiras. O resultado abre uma rodada de negociações que pode definir a continuidade de Benjamin Netanyahu no poder ou permitir a formação de uma coalizão de oposição.
Segundo a Associated Press, projeções divulgadas pela imprensa israelense apontam 53 cadeiras para o bloco de Netanyahu, 48 para partidos da oposição e 19 para partidos liderados por árabes. Os números ainda dependem da conclusão e certificação oficial da apuração. A comissão eleitoral informou que os resultados devem ser certificados até 4 de novembro.
O cenário coloca os partidos árabes em posição decisiva nas negociações. Uma aliança entre parte da oposição judaica e partidos árabes poderia formar uma maioria inédita, mas enfrenta resistências políticas. Outra possibilidade é que partidos que fizeram campanha para retirar Netanyahu do governo acabem negociando com seu bloco.
Acusações de interferência ainda não comprovadas
Netanyahu e seu partido, Likud, levantaram acusações de que a eleição teria sido “roubada”, mas, segundo a AP, não apresentaram provas que sustentem a alegação. A comissão eleitoral solicitou que o serviço de segurança interna investigue uma suspeita de interferência de entidades estrangeiras, sem apontar publicamente responsáveis. A própria comissão afirmou não conhecer fundamento para alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral.
O Catar negou envolvimento. Líderes da oposição e o presidente Isaac Herzog pediram cautela para que as suspeitas não sejam usadas para deslegitimar eleitores árabes, que representam cerca de um quinto da população israelense e registraram participação expressiva.
Segurança, Gaza e serviço militar no centro do debate
A eleição foi a primeira desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e ocorre após anos de guerra e tensões regionais. Entre os temas que dividiram o eleitorado estão a segurança nacional, a condução da guerra em Gaza, a situação dos reféns, a violência na Cisjordânia e a isenção do serviço militar para parte da população ultraortodoxa.
Uma eventual saída de Netanyahu também pode reabrir o debate sobre as falhas de segurança que antecederam os ataques de 2023 e sobre acusações de corrupção que ele enfrenta. Até que uma nova coalizão seja formada, Netanyahu permanece no cargo. Caso nenhum arranjo consiga maioria, Israel poderá ser levado a novas eleições.
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Com informações da Associated Press e da União Interparlamentar.
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