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Ebola supera 4 mil mortes e chega a 8,3 mil casos confirmados no Congo

Dados do Ministério da Saúde registram 4.018 mortes entre 8.300 casos confirmados; paralisações, insegurança e resistência comunitária dificultam a contenção.

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Dados do Ministério da Saúde registram 4.018 mortes entre 8.300 casos confirmados; paralisações, insegurança e resistência comunitária dificultam a contenção.

KINSHASA, 2 de outubro de 2026 — O surto de ebola na República Democrática do Congo ultrapassou a marca de 4 mil mortes. O balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde registra 4.018 óbitos entre 8.300 casos confirmados.

A epidemia, causada pela espécie Bundibugyo do vírus, tornou-se a maior e mais mortal já registrada no país. Em número total de casos, fica atrás apenas do surto que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Letalidade permanece próxima de 50%

Os números indicam que quase metade das pessoas diagnosticadas morreu. O índice elevado reforça a preocupação com a demora na identificação dos doentes, as dificuldades de acesso aos centros de tratamento e a permanência de cadeias de transmissão fora do alcance das equipes de vigilância.

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio e já atingiu sete províncias. Embora algumas áreas de Ituri apresentem redução nos registros, autoridades sanitárias alertam que a doença continua avançando em outras partes do leste do país, incluindo zonas de saúde em Kivu do Norte.

Profissionais protestam por pagamentos atrasados

Equipes que atuam na linha de frente realizaram protestos em Bunia, capital da província de Ituri e principal foco da epidemia, para cobrar salários atrasados. Entre os manifestantes estavam profissionais responsáveis por localizar pessoas que tiveram contato com pacientes infectados, atividade considerada essencial para interromper a transmissão.

A resposta também enfrenta insegurança armada, deslocamentos populacionais e resistência de comunidades que desconfiam das autoridades e das medidas sanitárias. Organizações de saúde avaliam que a queda recente no número de novos casos pode refletir, ao menos parcialmente, dificuldades para acessar regiões violentas e registrar todas as infecções.

Trabalhador humanitário foi infectado

Um profissional da organização Médicos Sem Fronteiras que participava do combate ao surto testou positivo para o vírus e foi transferido para uma unidade de isolamento de alta segurança nos Países Baixos. Mais de 50 trabalhadores da saúde já morreram durante a epidemia.

A variante Bundibugyo não possui vacina ou tratamento específico aprovado. A contenção depende de diagnóstico rápido, isolamento seguro, rastreamento de contatos, sepultamentos sob protocolos sanitários e cooperação das comunidades afetadas.

O novo balanço foi confirmado pelo Ministério da Saúde da República Democrática do Congo e verificado de forma independente por agências internacionais de notícias. A Organização Mundial da Saúde e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças acompanham a evolução da epidemia.


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