Aliança entre MDB e PSD avança e Greca pode ser confirmado como vice de Sandro Alex
Ex-prefeito recebeu convite de Ratinho Junior para integrar a chapa governista; decisão também poderá redefinir o futuro político de Cristina Graeml e Alvaro Dias

ELEIÇÕES 2026
CURITIBA — A convenção estadual do MDB, marcada para este domingo (2), poderá provocar uma importante mudança na disputa pelo Governo do Paraná. O partido deverá decidir entre manter Rafael Greca como candidato ao Palácio Iguaçu ou integrar a coligação liderada pelo PSD, indicando o ex-prefeito de Curitiba para a vice na chapa encabeçada por Sandro Alex.
As negociações avançaram após encontros entre Greca e o governador Ratinho Junior (PSD), principal articulador da candidatura governista. O convite para que o emedebista ocupe a vice foi apresentado diretamente pelo governador, mas a composição ainda depende da concordância de Greca e da aprovação formal do MDB.
Informações publicadas por diferentes veículos da imprensa paranaense indicam que o entendimento estaria próximo de ser concluído. Algumas versões de bastidores chegam a tratar o acordo como encaminhado. Até o fechamento desta matéria, entretanto, Greca, MDB e PSD não haviam anunciado oficialmente a formação da chapa.
Greca defendia candidatura ao Governo
A possível composição representa uma mudança em relação às declarações dadas anteriormente por Rafael Greca. Depois de se filiar ao MDB, o ex-prefeito passou a defender publicamente sua candidatura ao Governo do Paraná e chegou a rejeitar a possibilidade de ocupar uma posição secundária na chapa governista.
Em junho, ao ser questionado sobre a proposta, Greca afirmou que aceitar a vice significaria contrariar sua trajetória política. O presidente estadual do MDB, deputado federal Sérgio Souza, também sustentou naquele momento que o partido possuía uma candidatura própria competitiva e com condições de chegar ao segundo turno.
O cenário começou a mudar depois de o PSD oficializar Sandro Alex como candidato ao Governo e manter aberta a escolha do vice. Ratinho Junior intensificou as articulações para recompor sua base política e evitar a fragmentação do grupo que participa ou participou da atual administração estadual.
Greca voltou a conversar diretamente com o governador e ouviu a proposta para integrar a chapa. Mesmo diante do convite, teria reiterado inicialmente o desejo de encabeçar a disputa. A decisão foi transferida para as negociações partidárias que antecedem a convenção.
Posição oficial do MDB ainda é candidatura própria
Formalmente, Rafael Greca continua sendo o nome apresentado pelo MDB para concorrer ao Governo do Paraná. A direção nacional da legenda divulgou, no dia 27 de julho, uma relação de candidaturas prioritárias nos estados e incluiu Greca como candidato ao governo paranaense e Alvaro Dias como candidato ao Senado.
A manifestação da Executiva Nacional demonstra que o projeto próprio possui respaldo partidário. Os diretórios estaduais, no entanto, podem discutir coligações e definir suas chapas durante as convenções, respeitando as normas internas da legenda e a legislação eleitoral.
No domingo, os convencionais poderão confirmar Greca como candidato ao Governo, aprovar sua indicação para a vice de Sandro Alex ou conceder poderes à direção estadual para concluir as negociações posteriormente.
Por isso, mesmo que o entendimento político já esteja avançado, a definição eleitoral dependerá do conteúdo aprovado na convenção e registrado na respectiva ata.
Sandro Alex lidera aliança com oito partidos
A candidatura de Sandro Alex foi oficializada pelo PSD no sábado (25), em uma convenção que reuniu aproximadamente 5 mil pessoas em Curitiba. Deputado federal e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, ele foi escolhido por Ratinho Junior para representar a continuidade da atual gestão.
Segundo o PSD, a candidatura já concentra o apoio de oito siglas: PSD, União Brasil, Progressistas, Republicanos, PSDB, Cidadania, Avante e Mobiliza. A entrada do MDB ampliaria ainda mais a coligação e acrescentaria à chapa a projeção eleitoral de Greca em Curitiba e na Região Metropolitana.
O ex-prefeito comandou a capital paranaense em três mandatos: entre 1993 e 1996 e, mais recentemente, de 2017 a 2024. Também foi deputado estadual, deputado federal, ministro do Esporte e Turismo e secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável.
Sandro Alex, por sua vez, exerce o quarto mandato de deputado federal e comandou a Secretaria de Infraestrutura e Logística durante grande parte dos dois mandatos de Ratinho Junior. Sua base política possui maior presença nos Campos Gerais e em municípios do interior.
A eventual união dos dois nomes é vista pelo grupo governista como uma forma de combinar a capilaridade municipal do PSD com a força eleitoral e o reconhecimento de Greca na capital.
Entrada de Greca interfere no futuro de Cristina Graeml
A possível indicação de Rafael Greca para a vice também afeta diretamente o futuro político da jornalista Cristina Graeml, filiada ao PSD. Ela vinha sendo mencionada como uma das principais alternativas para completar a chapa de Sandro Alex.
Cristina ganhou projeção estadual depois de chegar ao segundo turno da eleição para a Prefeitura de Curitiba em 2024. Mesmo contando com uma estrutura partidária menor naquela disputa, obteve votação expressiva e consolidou uma base eleitoral identificada principalmente com o campo conservador.
Sua presença na chapa poderia ajudar Sandro Alex a ampliar o diálogo com esse eleitorado, especialmente em Curitiba e na Região Metropolitana. A alternativa, entretanto, encontrou resistências dentro do próprio grupo governista, principalmente entre aliados do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, adversário de Cristina no segundo turno de 2024.
Com o avanço das negociações entre PSD e MDB, Greca passou a ocupar a posição de principal possibilidade para a vice. Se o acordo for confirmado, Cristina ficará fora dessa função e precisará definir outro caminho na eleição.
Entre as alternativas mencionadas nos bastidores estão candidaturas ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Também existe a possibilidade de ela permanecer fora da chapa majoritária. Nenhuma dessas opções foi oficialmente anunciada.
Uma eventual candidatura de Cristina ao Senado também dependeria da acomodação dos demais aliados. Alexandre Curi (Republicanos) já foi apresentado pelo grupo governista para uma das duas vagas, enquanto Alvaro Dias pretende disputar a outra pelo MDB.
Alvaro Dias também entra nas negociações
As conversas interferem diretamente no projeto político de Alvaro Dias. O ex-governador e ex-senador retornou ao MDB com a intenção de disputar uma das duas vagas paranaenses ao Senado em 2026.
Na proposta original da legenda, Greca concorreria ao Governo e Alvaro ao Senado. Se o MDB aderir à chapa de Sandro Alex e ficar com a vice-governadoria, a presença de Alvaro na composição majoritária precisará ser negociada com os demais aliados.
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, já foi anunciado como candidato ao Senado pelo grupo de Ratinho Junior. Como o eleitor escolherá dois senadores neste ano, ainda existe uma segunda vaga na chapa, mas ela é disputada por diferentes partidos e lideranças.
Relatos de bastidores também mencionam a possibilidade de o MDB ocupar uma suplência na candidatura de Curi. Nenhuma composição dessa natureza, entretanto, havia sido confirmada oficialmente até a publicação desta matéria.
Um quebra-cabeça na chapa governista
A definição do candidato a vice está ligada à distribuição dos demais espaços da chapa majoritária. Ratinho Junior precisa acomodar partidos e lideranças que possuem bases eleitorais diferentes, mas disputam as mesmas posições.
Greca oferece ao grupo experiência administrativa e forte reconhecimento em Curitiba. Cristina Graeml representa uma parcela expressiva do eleitorado conservador. Alvaro Dias possui longa trajetória estadual e presença relevante nas pesquisas para o Senado. Alexandre Curi agrega o apoio de prefeitos, deputados e lideranças municipais.
A confirmação de um nome poderá reduzir ou modificar o espaço dos demais. Por isso, a negociação não envolve apenas a vice-governadoria, mas também as duas candidaturas ao Senado, as respectivas suplências e a participação de cada partido na coligação.
O que o MDB ganha com a aliança
Ao apoiar Sandro Alex, o MDB passaria a integrar a maior coligação formada até agora na eleição paranaense. A legenda garantiria espaço na chapa majoritária e poderia ampliar suas condições políticas e estruturais para disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
A decisão, porém, não é simples. A retirada da candidatura própria encerraria um projeto apresentado aos filiados e à sociedade poucas semanas antes. Também poderia provocar resistência entre integrantes do partido que defendem o protagonismo histórico do MDB na política estadual.
Para Greca, aceitar a vice significaria abandonar a tentativa de comandar o Estado, mas o manteria no centro da disputa sucessória e dentro de uma chapa apoiada pela ampla estrutura política de Ratinho Junior.
Para Sandro Alex, a aliança reduziria a fragmentação da base governista e acrescentaria à chapa um nome conhecido em uma região eleitoral estratégica.
Disputa poderá ser redesenhada
Se Greca for confirmado como vice de Sandro Alex, a corrida pelo Palácio Iguaçu será reorganizada. Sem uma candidatura própria do MDB, o grupo governista entrará na eleição mais concentrado, enquanto Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) permanecerão entre os principais adversários.
Caso o MDB mantenha Greca na cabeça de chapa, a base política ligada à atual administração estadual seguirá dividida. O ex-prefeito disputará espaço diretamente com Sandro Alex, principalmente entre eleitores de Curitiba, da Região Metropolitana e de setores que aprovam a gestão de Ratinho Junior.
Nesse segundo cenário, Cristina Graeml continuaria sendo uma alternativa para ocupar a vice na chapa de Sandro Alex, embora sua indicação ainda dependesse da superação das resistências internas e de uma decisão formal do PSD e dos partidos aliados.
Convenção dará a resposta formal
A convenção do MDB será realizada das 9h às 13h, na Sociedade Thalia, no Centro de Curitiba. Greca, o presidente estadual da legenda, Sérgio Souza, e Alvaro Dias participaram da convocação dos filiados para o encontro.
Pela legislação eleitoral, partidos e federações têm até 5 de agosto para realizar suas convenções e deliberar sobre candidaturas e coligações. Os pedidos de registro deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Até que a convenção seja concluída e a ata partidária seja divulgada, Rafael Greca permanece oficialmente como o nome projetado pelo MDB ao Governo do Paraná. Sua indicação para a vice de Sandro Alex é uma possibilidade concreta e em negociação avançada, mas ainda aguarda confirmação formal.
Serviço
Convenção Estadual do MDB do Paraná
Data: domingo, 2 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 13h
Local: Sociedade Thalia
Endereço: Rua Comendador Araújo, 338, Centro de Curitiba
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