Naufrágio bizantino na costa da Croácia revela tesouro de ouro e artefatos raros
Arqueólogos recuperaram cerca de 600 gramas de artefatos de ouro de um naufrágio bizantino próximo à ilha de Mljet, na Croácia. O achado, que inclui adornos de elite e um anel de sinete, oferece novas perspectivas sobre as rotas e a diplomacia do Império Bizantino.

Um naufrágio bizantino localizado próximo à ilha de Mljet, na costa da Croácia, revelou uma das mais raras cargas de ouro já encontradas no Mar Mediterrâneo. O conjunto reúne joias, moedas e um anel de sinete que pode ter pertencido a um alto funcionário do Império Bizantino, levantando a hipótese de que a embarcação transportava uma missão diplomática, e não apenas mercadorias.
Segundo um comunicado divulgado pelo Instituto Croata de Conservação, os artefatos restaurados somam cerca de 600 gramas de ouro, volume considerado excepcional para um sítio arqueológico desse tipo. As escavações no local começaram em 2015 e já passaram por nove campanhas arqueológicas, integrando um projeto que há 19 anos pesquisa embarcações antigas na região.
Entre os objetos recuperados estão quatro adornos completos de cintos feitos de ouro, além de fivelas e ponteiras decoradas com esmeraldas, rubis e pérolas. Segundo os pesquisadores, esse tipo de adorno era utilizado por altos dignitários bizantinos e nunca havia sido encontrado preservado no fundo do Mar Mediterrâneo. Outro destaque é um anel de sinete de ouro com a imagem de um imperador da dinastia de Heráclio, peça que, segundo o Instituto, só podia ser utilizada por pessoas autorizadas a autenticar documentos imperiais.
Além das joias e moedas, os pesquisadores recuperaram ânforas, recipientes de cerâmica, tigelas, pratos, jarros, balanças utilizadas em transações comerciais e fichas de marfim. O conjunto indica que o navio transportava tanto produtos comerciais quanto objetos de alto valor destinados à elite bizantina. Igor Miholjek, chefe das pesquisas do Instituto Croata de Conservação, afirmou que a carga encontrada não se parece com a de uma embarcação mercante comum.
Os pesquisadores acreditam que o navio afundou ao tentar buscar abrigo de uma tempestade na baía de Polače. Durante o período bizantino, a região ocupava uma posição estratégica nas rotas marítimas entre o Mediterrâneo oriental e ocidental. Atualmente, as pesquisas continuam com a participação de especialistas da Universidade Stanford, que analisam os materiais recuperados para compreender melhor as relações comerciais, políticas e diplomáticas do período.
Fonte original: Exame Geral
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