Chuvas acima da média atrasam colheita de uvas para vinhos de inverno em MG e SP
O excesso de chuvas e a nebulosidade durante o outono e o inverno retardaram a maturação das uvas em Minas Gerais e São Paulo. O fenômeno climático forçou vinícolas a adiarem o início da colheita da safra de 2026, embora a qualidade do produto final não seja afetada.

As chuvas registradas acima da média durante o outono e o inverno impactaram diretamente o cronograma de produção dos vinhos de inverno em Minas Gerais e São Paulo. O excesso de umidade e a nebulosidade constante retardaram o processo de maturação das uvas, levando diversas vinícolas a postergar o início da colheita da safra de 2026.
Em São Roque, no estado de São Paulo, a vinícola Philosophia Wines confirmou que iniciará a colheita apenas na próxima terça-feira. Cláudio Góes, sócio do estabelecimento e presidente da Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), explicou que o ajuste no calendário foi uma medida necessária diante das condições climáticas observadas nos últimos meses.
O cenário de atraso é compartilhado por produtores em Minas Gerais. O engenheiro agrônomo Murilo Regina, especialista no desenvolvimento da técnica de dupla poda no Brasil, afirmou que o volume de chuvas no Sul do estado superou os índices históricos para o período. Segundo o especialista, a falta de sol e o excesso de nuvens impediram que as uvas atingissem o ponto de maturação no tempo habitual.
Apesar da alteração nas datas, que geralmente ocorrem na primeira quinzena de julho, especialistas garantem que a qualidade da safra permanece preservada. A técnica da dupla poda, utilizada nessas regiões, oferece maior flexibilidade aos produtores, permitindo que os frutos permaneçam na planta por um período prolongado até atingirem o estágio ideal de colheita.
O método da dupla poda transfere o ciclo produtivo da videira para os meses mais secos, minimizando os riscos associados às chuvas de verão. Essa característica diferencia a produção de vinhos de inverno do modelo tradicional da Serra Gaúcha, onde precipitações próximas à colheita podem comprometer a integridade dos cachos e forçar uma vindima antecipada.
A expectativa para a safra atual é positiva, com uma projeção de colheita de aproximadamente 4,5 mil toneladas de uvas viníferas. O volume representa um crescimento de cerca de 15% em comparação ao ciclo anterior, impulsionado principalmente pela expansão da área plantada em hectares nas regiões produtoras.
Fonte original: CNN Brasil — RSS
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