Explosões em série e incêndio de grandes proporções atingem fábrica de solventes em São Paulo
Produtos químicos chegaram à rede pluvial, provocaram explosões em bueiros e causaram correria nas ruas; cerca de 200 pessoas foram retiradas da região e não houve mortes

SÃO PAULO | Um incêndio de grandes proporções destruiu parte de uma indústria química em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, mobilizou dezenas de bombeiros e obrigou moradores e trabalhadores a deixarem preventivamente os imóveis próximos. A ocorrência começou na tarde desta terça-feira (4) e avançou pela noite devido à presença de milhões de litros de materiais inflamáveis.
O fogo atingiu a unidade da Quema Química, localizada na Estrada do Bonsucesso, no bairro Rio Abaixo. A empresa atua na produção e comercialização de solventes e resinas.
Imagens gravadas por cidadãos mostram uma enorme coluna de fumaça escura, labaredas de grande altura e sucessivas explosões. Em um dos registros mais impressionantes, pessoas caminham pela rua quando bueiros começam a explodir, provocando correria.
Vídeos mostram explosões e correria
Um vídeo gravado por cidadãos mostra o momento em que explosões subterrâneas atingem a Estrada do Bonsucesso. As pessoas que estavam próximas correm para deixar a área.
Assista ao vídeo das explosões nos bueiros e da correria
Outro registro enviado por moradores ao Diário de Itaquá mostra uma forte explosão dentro do complexo industrial.
Assista ao vídeo da explosão na fábrica
As explosões ocorreram depois que componentes químicos atingiram a rede de captação de águas pluviais. O acúmulo de gases e o aumento da pressão dentro das tubulações fizeram com que tampas de bueiros fossem lançadas.
Fábrica armazenava cerca de 2 milhões de litros
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a fábrica possui 24 tanques de solventes e armazenava aproximadamente 2 milhões de litros de líquidos inflamáveis.
Entre os produtos existentes na unidade estavam tolueno, hexano, álcool etílico, acetato de etila, acetato de butila e resinas. O incêndio alcançou pelo menos dois tanques.
Os reservatórios principais possuem capacidade aproximada de 30 mil litros cada. O complexo também contava com seis tanques menores, de cerca de 5 mil litros, e mais de 100 contêineres intermediários.
A quantidade e a natureza dos materiais tornaram a operação especialmente perigosa. Solventes são altamente inflamáveis e podem apresentar comportamento imprevisível quando submetidos a temperaturas elevadas.
Operação mobilizou cerca de 95 bombeiros
O combate ao incêndio mobilizou aproximadamente 95 bombeiros e 40 viaturas. As equipes atuaram em três frentes, utilizando espuma especial para abafar as chamas e diminuir o contato do combustível com o oxigênio.
Parte do efetivo também trabalhou para impedir que o fogo alcançasse outros reservatórios e galpões vizinhos. A rápida chegada das primeiras equipes ajudou a manter o incêndio dentro do complexo industrial.
O fornecimento de energia elétrica no entorno foi interrompido preventivamente para garantir a segurança dos profissionais e da população.
Cerca de 200 pessoas foram retiradas
Por causa do risco de novas explosões, todo o quadrilátero próximo à fábrica foi isolado. Aproximadamente 200 moradores e trabalhadores tiveram de deixar a região.
A Prefeitura de Itaquaquecetuba disponibilizou um abrigo emergencial no Centro de Convivência da Melhor Idade, na região central da cidade.
Apesar da dimensão do incêndio, não foram registradas mortes ou pessoas diretamente feridas pelas chamas. Um homem apresentou uma convulsão durante a ocorrência e foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a uma unidade de saúde.
Fumaça química exige cuidados
A fumaça provocada pela queima de solventes pode conter gases, vapores e partículas capazes de causar irritação ou intoxicação.
As autoridades orientaram a população a procurar atendimento médico ao apresentar irritação intensa nos olhos ou na garganta, tosse persistente, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça, tontura, náusea, vômito, confusão mental ou desmaio.
Em situações graves, o Samu deve ser acionado pelo telefone 192.
A coluna de fumaça pôde ser observada de Guarulhos, a aproximadamente 20 quilômetros do incêndio. Apesar da proximidade, as operações do Aeroporto Internacional de Guarulhos seguiram normalmente.
Possíveis impactos ambientais serão avaliados
A Defesa Civil e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo acompanham a ocorrência. Uma das principais preocupações é a possibilidade de contaminação da rede pluvial, do solo e de cursos de água pelos produtos que escaparam da fábrica.
A extensão dos danos ambientais dependerá de análises técnicas e da identificação da quantidade de material que deixou os reservatórios.
Causas ainda são desconhecidas
A origem do incêndio não havia sido esclarecida até a última atualização. A perícia deverá entrar no complexo depois da conclusão do combate e do rescaldo, desde que existam condições de segurança.
A unidade possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros válido até 2029. A documentação indica que o imóvel havia sido inspecionado, mas não esclarece o que provocou o início das chamas.
O Portal Conexão Geral acompanha as investigações sobre as causas do incêndio, os impactos ambientais e a situação das famílias retiradas da região.
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