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Eleições 2026: Paraná fecha convenções com oito candidatos ao Governo e disputa entra em nova fase

Sergio Moro chega à reta pós-convenções na liderança das pesquisas, enquanto Sandro Alex reforça a chapa governista com Rafael Greca na vice e Requião Filho amplia aliança. Configuração final, porém, ainda não foi medida pelas principais pesquisas recentes.

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PARANÁ – A disputa pelo Governo do Paraná ganhou sua configuração mais clara até agora. Encerrado na quarta-feira (5) o prazo para as convenções partidárias, oito nomes foram homologados pelos partidos para concorrer ao Palácio Iguaçu nas eleições de 2026.

O cenário que se desenhou é diferente daquele apresentado pelas pesquisas eleitorais das últimas semanas. A principal mudança ocorreu com Rafael Greca (MDB), que deixou a disputa pelo Governo e passou a integrar, como candidato a vice-governador, a chapa de Sandro Alex (PSD), nome apoiado pelo governador Ratinho Junior.

Do outro lado, o senador Sergio Moro (PL) confirmou a candidatura mantendo a liderança registrada nos levantamentos recentes. Requião Filho (PDT) também consolidou sua candidatura e fechou uma ampla aliança partidária, tendo o ex-secretário estadual da Saúde Michele Caputo Neto (Solidariedade) como vice.

A eleição estadual também contará com cinco candidaturas de partidos com estruturas eleitorais menores, ampliando para oito o número de nomes homologados para a disputa.

Os oito nomes homologados para o Governo do Paraná

Após o encerramento das convenções, foram definidos:

Adriano Teixeira (PCO)
Alexandre Salomão (Mobiliza)
Luiz França (Missão)
Requião Filho (PDT)
Samuel de Mattos (PSTU)
Sandro Alex (PSD)
Sergio Moro (PL)
Tayná Miessa (UP)

A relação ainda não significa que todas as candidaturas estejam definitivamente deferidas.

Os partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro à Justiça Eleitoral. Depois disso, cada candidatura será analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

Somente após essa etapa haverá a confirmação jurídica dos registros.

Greca muda de posição e fortalece chapa de Sandro Alex

Uma das principais reviravoltas da fase de convenções foi protagonizada por Rafael Greca.

O ex-prefeito de Curitiba vinha sendo apresentado pelo MDB como candidato próprio ao Governo do Estado e aparecia nas pesquisas entre os principais concorrentes. Nos últimos dias de julho, entretanto, uma articulação envolvendo o MDB, o PSD e o grupo político do governador Ratinho Junior modificou o cenário.

Greca desistiu da candidatura ao Governo e aceitou integrar a chapa de Sandro Alex como vice-governador.

A composição busca unir o candidato escolhido por Ratinho Junior à experiência eleitoral e ao capital político de Greca principalmente em Curitiba e na Região Metropolitana.

Sandro Alex foi secretário estadual de Infraestrutura e Logística durante os governos de Ratinho Junior e atualmente exerce mandato de deputado federal. Sua candidatura foi homologada pelo PSD com uma ampla base partidária.

Na composição consolidada após as convenções, o grupo reúne PSD e aliados como Republicanos, Avante, União Brasil, Progressistas, PSDB, Cidadania e MDB.

A entrada de Greca altera também a leitura das pesquisas anteriores, porque os eleitores que declaravam voto no ex-prefeito terão agora de decidir se acompanham a nova composição, migram para outro candidato ou permanecem indecisos.

Transferência de votos não é automática. Esse será um dos principais pontos a serem observados nas próximas pesquisas.

Moro chega à nova fase como líder das pesquisas

Sergio Moro foi homologado pelo PL como candidato ao Governo do Paraná. O empresário e presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson Vasconcelos, integra a chapa como candidato a vice.

PL, Novo, Podemos e Democracia Cristã estão entre as legendas que formam o campo de apoio à candidatura.

Moro chega ao período posterior às convenções em situação favorável nas pesquisas realizadas antes da definição final das chapas.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de julho, ele aparecia com 39% das intenções de voto no cenário mais amplo. Requião Filho tinha 18%, Rafael Greca 12% e Sandro Alex 7%.

Mas existe uma ressalva fundamental: esse cenário já não existe, porque Greca não concorrerá ao Governo.

A mesma pesquisa havia testado uma hipótese sem Rafael Greca. Nessa simulação, Moro registrava 40%, Requião Filho 24%, Sandro Alex 9% e Luiz França 2%.

O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de julho, tinha margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Mesmo esse segundo cenário, entretanto, não representa a configuração definitiva da eleição, porque não apresentava todos os oito candidatos homologados posteriormente.

Por isso, a próxima pesquisa realizada já com as chapas fechadas será especialmente importante.

Sandro cresceu antes mesmo da composição com Greca

Outro levantamento realizado no final de julho já apontava uma aproximação entre Sandro Alex e Requião Filho.

Pesquisa do IRG, realizada entre 24 e 28 de julho, mostrou Moro com 37,4%, Requião Filho com 19,1%, Sandro Alex com 16,5% e Greca com 11,1%.

Na série do instituto, Sandro havia passado de 12,3% em maio para 14,4% em junho e 16,5% em julho.

O levantamento foi realizado antes de Greca aceitar a posição de vice na chapa governista.

Esse detalhe é decisivo. A próxima rodada de pesquisas poderá demonstrar se a união Sandro-Greca consegue produzir crescimento efetivo, se beneficia outros candidatos ou simplesmente redistribui o eleitorado que até então escolhia o ex-prefeito.

Requião Filho monta bloco de oito partidos

Requião Filho também chegou ao fim das convenções com uma estrutura partidária ampliada.

O deputado estadual do PDT terá Michele Caputo Neto, ex-secretário estadual da Saúde e ex-deputado estadual, como candidato a vice-governador.

A composição reúne PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, Solidariedade e PRD.

O grupo representa o principal campo político ligado à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná.

Requião Filho tem procurado construir sua campanha em temas como serviços públicos, infraestrutura, educação, redução de impostos e críticas às privatizações realizadas no Estado.

O candidato carrega ainda um sobrenome de forte tradição política no Paraná: é filho do ex-governador Roberto Requião.

Nas pesquisas mais recentes, aparece como um dos principais concorrentes por uma eventual vaga no segundo turno.

Luiz França tenta ampliar espaço fora dos três principais blocos

O advogado e economista Luiz França foi homologado pelo partido Missão.

Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), França tenta ocupar um espaço próprio na disputa, sem integrar as grandes alianças que se formaram ao redor de Moro, Sandro Alex e Requião Filho.

Seu candidato a vice é o jornalista João Adolfo.

Nas pesquisas realizadas antes das convenções, França aparecia em patamar inferior aos principais candidatos, mas a campanha oficial e a maior exposição pública podem alterar o nível de conhecimento do eleitorado sobre seu nome.

Outros quatro candidatos completam a disputa

Além dos quatro candidatos que aparecem com maior frequência nas pesquisas e articulações políticas, a eleição terá outras quatro candidaturas homologadas.

Samuel de Mattos, do PSTU, é professor de Matemática, ex-funcionário dos Correios e militante sindical.

Tayná Miessa, da Unidade Popular (UP), é produtora cultural e atua em movimentos sociais.

Adriano Teixeira, do PCO, é formado em História, trabalha como mecânico funileiro e já participou de disputas eleitorais.

Alexandre Salomão, do Mobiliza, é advogado criminalista e já presidiu a Comissão de Direitos Humanos da OAB no Paraná.

A presença dessas candidaturas amplia o espectro ideológico e programático da eleição e poderá influenciar principalmente os debates e a distribuição de votos no primeiro turno.

Tony Garcia fica fora e DC decide apoiar Moro

Outra mudança em relação aos cenários apresentados anteriormente pelas pesquisas envolve Tony Garcia.

O empresário chegou a aparecer como pré-candidato ao Governo pelo Democracia Cristã e foi incluído em diferentes levantamentos eleitorais.

A candidatura, entretanto, não chegou à configuração final. Após uma disputa interna, o DC decidiu apoiar Sergio Moro.

Por isso, os percentuais atribuídos anteriormente a Tony Garcia também deverão ser redistribuídos nas próximas pesquisas.

Senado terá duas vagas e nove nomes homologados

A disputa não estará concentrada apenas no Governo.

Em 2026, o Paraná elegerá dois senadores, situação diferente da eleição de 2022, quando apenas uma cadeira estava em disputa.

Após as convenções, nove nomes foram homologados:

Alexandre Curi (Republicanos)
Cristina Graeml (PSD)
Deltan Dallagnol (Novo)
Filipe Barros (PL)
Dr. Rosinha (PT)
Gleisi Hoffmann (PT)
Karen Guerreiro (Missão)
Joaquim Maciel (UP)
Alex Sandro (Mobiliza)

O eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado no primeiro turno.

Entre as mudanças no tabuleiro está a ausência de Álvaro Dias, que chegou a ser apresentado pelo MDB como pré-candidato, mas não aparece entre os nove nomes homologados ao final das convenções.

Situação de Deltan ainda depende da Justiça Eleitoral

A candidatura de Deltan Dallagnol merece uma observação específica.

O Novo homologou seu nome para a disputa ao Senado, mas a situação jurídica será analisada pela Justiça Eleitoral.

Dallagnol teve o registro de sua candidatura a deputado federal cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, em decisão que teve efeitos sobre sua elegibilidade.

Com a tentativa de retorno às urnas em 2026, o tema volta à Justiça e já existem questionamentos contra o registro.

Assim, sua presença definitiva na urna dependerá da análise judicial do pedido de candidatura.

Campanha oficial começa em 16 de agosto

Apesar das convenções e dos eventos políticos que já movimentam o Estado, a propaganda eleitoral oficial ainda não começou.

O calendário da Justiça Eleitoral estabelece:

15 de agosto: prazo final para apresentação dos pedidos de registro de candidatura.

16 de agosto: início da propaganda eleitoral nas ruas e na internet.

28 de agosto: início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

4 de outubro: primeiro turno das eleições.

25 de outubro: eventual segundo turno para governador e presidente.

Até o início oficial da propaganda, candidatos e partidos precisam observar as regras específicas da pré-campanha e evitar práticas que possam configurar propaganda eleitoral antecipada irregular.

Primeiro debate ocorre neste domingo

A nova configuração da disputa começará a ser colocada à prova também nos debates.

O primeiro debate televisionado entre candidatos ao Governo do Paraná está previsto para domingo, 9 de agosto, às 20 horas.

O encontro ganha importância porque ocorre poucos dias depois do encerramento das convenções e poderá representar o primeiro confronto direto entre os principais projetos apresentados para suceder Ratinho Junior.

Segurança pública, pedágios, infraestrutura, saúde, educação, desenvolvimento econômico, privatizações e a relação do Paraná com o Governo Federal estão entre os assuntos que devem dominar a campanha.

Eleição ganha novo ponto de partida

Até agora, as pesquisas mostraram Moro na liderança e uma disputa entre os demais concorrentes pela segunda posição.

Mas o fechamento das chapas modificou significativamente o tabuleiro.

Rafael Greca deixou de ser adversário de Sandro Alex e virou seu vice. O grupo governista concentrou partidos e lideranças. Requião Filho ampliou sua coligação. Moro consolidou apoios e manteve posição de liderança. Outros candidatos passaram a integrar oficialmente a disputa.

Na prática, isso significa que a eleição começa agora uma fase que ainda não foi integralmente medida pelas pesquisas.

Os próximos levantamentos deverão mostrar principalmente três coisas: se Moro mantém a vantagem, se a união Sandro-Greca consegue acelerar o crescimento da candidatura governista e se Requião Filho preserva a posição competitiva que apresentou até aqui.


Portal Conexão Geral – Análise

As convenções encerraram uma etapa da eleição paranaense, mas abriram outra muito mais importante: a disputa pelo eleitor que ainda não conhece plenamente as chapas e suas propostas.

Sergio Moro entra nessa fase com a vantagem construída nas pesquisas. Sandro Alex, por outro lado, passa a contar com uma estrutura política considerável, o apoio direto do governador Ratinho Junior e agora Rafael Greca como vice. Requião Filho chega sustentado por uma ampla frente partidária e por um eleitorado que já demonstrou presença consistente nos levantamentos.

O principal erro neste momento seria tratar os números anteriores como fotografia definitiva da eleição. A saída de Greca da cabeça de chapa, a reorganização das alianças e o início da exposição oficial tendem a produzir um novo cenário.

A partir de agora, mais do que acompanhar percentuais, o eleitor paranaense terá a oportunidade de comparar propostas concretas para saúde, educação, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e gestão pública. É essa discussão que deverá definir quem estará no Palácio Iguaçu a partir de 2027.


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