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Agosto Lilás: números da violência contra a mulher acendem alerta em Araucária e reforçam importância da rede de proteção

Nos 20 anos da Lei Maria da Penha, dados locais mostram a dimensão do desafio: Guarda Municipal contabilizou 667 ocorrências relacionadas à violência doméstica no primeiro semestre de 2026. Município conta com Patrulha Maria da Penha, CRAM e uma rede de serviços para acolhimento, atendimento e proteção das vítimas.

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ARAUCÁRIA/PR — O Agosto Lilás de 2026 tem significado especial em todo o Brasil. Neste mês, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, ao mesmo tempo em que os números relacionados à violência doméstica mostram que o enfrentamento ao problema permanece como um desafio para o poder público e para a sociedade.

Em Araucária, levantamento atribuído à Guarda Municipal de Araucária, divulgado pela imprensa local, aponta 667 ocorrências relacionadas à violência doméstica entre janeiro e junho de 2026, além de 79 prisões no período.

Os números não significam necessariamente 667 mulheres diferentes. Uma mesma vítima pode estar relacionada a mais de um atendimento e diferentes bases — como ocorrências da Guarda Municipal, boletins da Polícia Civil, inquéritos e medidas protetivas — não devem ser somadas como se representassem pessoas distintas.

Ainda assim, o volume de atendimentos demonstra a demanda existente dentro do próprio município.

Patrulha Maria da Penha realizou milhares de visitas

O mesmo levantamento atribuído à Guarda Municipal aponta que a Patrulha Maria da Penha realizou 4.724 visitas de acompanhamento no primeiro semestre de 2026.

Em junho, 1.233 mulheres estavam sendo acompanhadas pela equipe especializada, segundo os dados reproduzidos pela imprensa local.

A Patrulha Maria da Penha é uma das estruturas especializadas existentes em Araucária para acompanhamento de mulheres protegidas por medidas judiciais.

O trabalho é especialmente importante porque a concessão de uma medida protetiva não significa necessariamente o fim do risco. Dependendo da situação, podem persistir ameaças, perseguição, aproximações indevidas ou descumprimentos das determinações impostas ao agressor.

Em situações emergenciais, a Guarda Municipal de Araucária pode ser acionada pelo telefone 153.

Dados da Delegacia já mostravam cenário preocupante em 2025

Os números registrados no ano anterior também ajudam a dimensionar o problema.

Dados fornecidos pela Delegacia da Mulher e do Adolescente de Araucária à imprensa local apontavam que, entre janeiro e 21 de agosto de 2025, haviam sido registrados 633 boletins de ocorrência relacionados à Lei Maria da Penha.

No mesmo período, foram contabilizados 602 pedidos de medidas protetivas.

A unidade informou ainda a instauração de 509 inquéritos relacionados à violência doméstica e à violência sexual naquele período.

É fundamental fazer uma distinção: boletins de ocorrência, atendimentos da Guarda Municipal, inquéritos policiais e pedidos de medidas protetivas representam indicadores diferentes.

Por isso, esses números não podem ser simplesmente somados.

Analisados individualmente, entretanto, demonstram a demanda existente pelos serviços de segurança e proteção às vítimas em Araucária.

CRAM oferece atendimento especializado às mulheres

A resposta à violência não depende apenas da atuação policial.

Araucária conta com o CRAM — Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, equipamento especializado que integra a rede de proteção existente no município.

A estrutura física própria do CRAM foi inaugurada em março de 2023. Na ocasião, a Câmara Municipal informou que se tratava do primeiro equipamento dessa natureza na Região Metropolitana de Curitiba fora da capital.

O espaço possui ambientes destinados ao atendimento individualizado e estrutura para acolher crianças durante o período em que suas mães recebem atendimento.

Na rede atualmente divulgada pela Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, o CRAM aparece como referência para mulheres de 18 a 59 anos.

O telefone divulgado para atendimento é (41) 3614-1507.

A existência desse serviço é importante porque romper um ciclo de violência frequentemente envolve mais do que registrar uma ocorrência.

A mulher pode necessitar de acolhimento, orientação, acompanhamento psicossocial e encaminhamento para diferentes políticas públicas até conseguir reconstruir sua segurança e autonomia.

Delegacia da Mulher integra a rede

Araucária também conta com atendimento especializado da Delegacia da Mulher, vinculada à Polícia Civil do Paraná.

A estrutura policial atua no registro e investigação de ocorrências dentro de suas atribuições legais e constitui uma das portas de entrada para mulheres que necessitam buscar proteção.

A página institucional da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal orienta que a solicitação de medida protetiva seja realizada presencialmente na Delegacia da Mulher.

O telefone atualmente divulgado pela Câmara para o serviço é (41) 3641-6013.

CREAS e Conselhos Tutelares também fazem parte da proteção

Situações de violência dentro de uma residência podem atingir diferentes integrantes da família, exigindo atuação de outros serviços.

O CREAS — Centro de Referência Especializado de Assistência Social integra a estrutura de atendimento em situações de violação de direitos que necessitam de acompanhamento especializado.

Segundo as orientações disponibilizadas pela Procuradoria da Mulher da Câmara, mulheres de 18 a 59 anos são direcionadas ao CRAM, enquanto pessoas com 60 anos ou mais podem procurar o CREAS.

Para crianças e adolescentes, a rede envolve também os Conselhos Tutelares e o CREAS.

Os contatos atualmente divulgados são:

CREAS Araucária: (41) 3614-1499

Conselho Tutelar Leste: (41) 3614-1784

Conselho Tutelar Oeste: (41) 3614-1794

Procuradoria da Mulher atua no acolhimento e orientação

No Poder Legislativo municipal, Araucária possui ainda a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, instituída pela Resolução nº 73/2020.

A estrutura funciona como espaço de acolhimento, escuta, informação e encaminhamento.

Além de orientar mulheres que procuram ajuda, a Procuradoria promove ações de conscientização e acompanha questões relacionadas aos direitos das mulheres e às políticas de enfrentamento da violência.

A Procuradoria não substitui a Polícia Civil, Guarda Municipal, Justiça, CRAM ou assistência social.

Sua atuação complementa a rede, auxiliando a mulher a identificar os serviços adequados para buscar atendimento e proteção.

Uma rede que precisa funcionar de maneira integrada

O enfrentamento à violência contra a mulher exige atuação articulada entre diferentes instituições.

Em Araucária, essa estrutura envolve Guarda Municipal e Patrulha Maria da Penha, CRAM, Delegacia da Mulher, CREAS, Conselhos Tutelares, Procuradoria da Mulher, Polícia Militar e órgãos do sistema de Justiça, cada qual dentro de suas atribuições.

A existência de diferentes portas de entrada é importante porque nem todas as vítimas chegam à rede pelo mesmo caminho.

Algumas procuram inicialmente a polícia. Outras recorrem à assistência social, familiares, serviços especializados ou instituições capazes de orientá-las.

Independentemente da porta de entrada, o objetivo é identificar situações de risco, interromper a violência e garantir proteção.

Paraná registrou redução nos feminicídios

No cenário estadual, dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Paraná, com base no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, mostram redução nos feminicídios.

O Paraná registrou 87 feminicídios em 2025, contra 109 em 2024, uma queda de 20,2%.

A redução representa um indicador positivo, mas não diminui a gravidade do problema. Foram dezenas de mulheres mortas em crimes classificados como feminicídio em apenas um ano.

Agosto Lilás é estabelecido por lei

O Agosto Lilás foi instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448, de 9 de setembro de 2022, que estabelece agosto como mês de proteção à mulher e de conscientização pelo fim da violência contra a mulher.

A legislação prevê ações destinadas ao esclarecimento sobre as diferentes formas de violência, mecanismos de denúncia e serviços especializados de atendimento.

Um dos objetivos é ampliar o conhecimento da população sobre como identificar a violência e onde procurar ajuda.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei nº 11.340 — Lei Maria da Penha — completou 20 anos em 2026.

A legislação se consolidou como um dos principais instrumentos jurídicos brasileiros de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.

A lei estabelece mecanismos de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, além de prever medidas protetivas de urgência.

Ao longo dessas duas décadas, a legislação recebeu diferentes alterações e aperfeiçoamentos.

Violência não significa apenas agressão física

Um dos principais objetivos do Agosto Lilás é mostrar que a violência doméstica pode assumir diferentes formas.

A Lei Maria da Penha reconhece violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Ameaças, perseguições, humilhações, chantagens, controle excessivo, destruição ou retenção de bens e documentos, violência sexual e outras formas de abuso não devem ser tratadas como simples conflitos de relacionamento.

Reconhecer os primeiros sinais pode ser fundamental para impedir o agravamento da violência.

Onde procurar ajuda em Araucária

Mulheres em situação de violência podem recorrer a diferentes integrantes da rede de proteção.

Guarda Municipal de Araucária: 153

Polícia Militar: 190

CRAM Araucária: (41) 3614-1507

Delegacia da Mulher de Araucária: (41) 3641-6013

CREAS Araucária: (41) 3614-1499

Conselho Tutelar Leste: (41) 3614-1784

Conselho Tutelar Oeste: (41) 3614-1794

Também está disponível em todo o Brasil o Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, destinado à orientação e ao encaminhamento de denúncias.

Em situações de risco imediato ou violência em andamento, a orientação é procurar imediatamente os serviços de emergência.

Muito além de agosto

Os números disponíveis sobre Araucária mostram por que o enfrentamento à violência contra a mulher não pode permanecer restrito ao Agosto Lilás.

O levantamento atribuído à Guarda Municipal aponta centenas de ocorrências relacionadas à violência doméstica somente nos primeiros seis meses de 2026 e milhares de visitas realizadas pela Patrulha Maria da Penha.

Dados da Delegacia da Mulher e do Adolescente referentes a 2025 também revelam centenas de boletins e pedidos de medidas protetivas.

Por trás de cada registro existe uma história que não pode ser reduzida a uma estatística.

Araucária dispõe de diferentes estruturas de segurança, acolhimento, assistência e orientação. O desafio permanente é garantir que a população conheça essa rede, que os serviços atuem de maneira articulada e, principalmente, que uma mulher em situação de violência consiga encontrar proteção antes que o ciclo de agressões produza consequências ainda mais graves.

Nos 20 anos da Lei Maria da Penha, a mensagem do Agosto Lilás continua atual:

violência contra a mulher não é um problema privado. É uma questão de segurança, direitos, dignidade e proteção da vida.

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