Governo dos EUA reafirma Doutrina Monroe como pilar de política externa
Em nova diretriz, a gestão de Donald Trump resgata a doutrina de 1823 para justificar ações de segurança e reforçar o domínio americano no hemisfério ocidental.

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, reafirmou a Doutrina Monroe como diretriz central de sua política externa para a América Latina. Em um vídeo oficial de mais de cinco minutos, divulgado pelo Departamento de Estado, a administração americana sustenta que a doutrina, formulada originalmente em 1823, permanece como a pedra angular da conduta dos EUA no hemisfério ocidental.
O material audiovisual, narrado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, descreve a doutrina como uma estrutura de domínio regional que evoluiu ao longo de dois séculos. Como exemplo de aplicação moderna dessa política, o vídeo oficial cita a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, apresentando o episódio sob a perspectiva da narrativa governamental americana.
A reinterpretação da doutrina pelo atual governo americano possui um objetivo estratégico claro: conter a crescente influência da China na região. Se no século 19 o foco era evitar a interferência de potências europeias, a estratégia atual busca recuperar o que autoridades americanas descrevem como influência perdida no chamado “quintal” dos Estados Unidos.
Um dos pontos de maior tensão é o Canal do Panamá. O governo Trump tem se posicionado de forma crítica contra a presença chinesa na infraestrutura marítima, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico. O vídeo oficial classifica o canal como um “símbolo da liderança duradoura dos Estados Unidos na região”.
A Doutrina Monroe, estabelecida pelo ex-presidente James Monroe, surgiu originalmente para alertar potências europeias contra intervenções no continente americano. Ao longo das décadas, o conceito foi reinterpretado por diversas gestões, incluindo o “Corolário Roosevelt” de 1904, que justificou intervenções diretas em nações latino-americanas sob a premissa de garantir a estabilidade e cumprir obrigações internacionais.
A atual postura da Casa Branca, apelidada por críticos de “Doutrina Donroe”, já havia sido sinalizada na Estratégia de Segurança Nacional divulgada anteriormente. O documento reforça que a América Latina é uma prioridade estratégica para os EUA, especialmente no que tange ao controle de fluxos migratórios e ao combate ao tráfico de drogas.
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