Índia planeja resgate de alpinista congelado há 30 anos no Monte Everest
Autoridades indianas preparam uma missão complexa para repatriar o corpo de um integrante da Polícia de Fronteira Indo-Tibetana, morto em 1996 durante uma expedição histórica.

A Índia iniciou o planejamento de uma operação de resgate de alta complexidade para recuperar os restos mortais de Dorje Morup, um alpinista que faleceu no Monte Everest em 1996. O corpo, amplamente conhecido na comunidade de montanhismo como “Botas Verdes” devido ao calçado de cor neon que utilizava, tornou-se um marco sombrio na trilha de ascensão ao cume por três décadas. A missão é financiada pela Polícia de Fronteira Indo-Tibetana (ITBP), força à qual Morup pertencia, com o objetivo de concluir o translado até setembro de 2026.
Identificação e contexto histórico
Durante anos, a identidade do corpo foi atribuída a Tsewang Paljor, outro integrante da mesma expedição. No entanto, novas evidências baseadas em depoimentos de sobreviventes e na análise de equipamentos e vestimentas levaram as autoridades indianas a concluir que os restos mortais pertencem a Dorje Morup. O alpinista, que tinha 48 anos na época, integrava uma equipe que buscava realizar a primeira ascensão indiana pelo lado chinês da montanha, uma rota considerada mais traiçoeira.
Desafios da ‘zona da morte’
A operação enfrenta riscos extremos devido à localização do corpo, situado a 8.500 metros de altitude, na chamada “zona da morte”. Nesta região, os níveis de oxigênio são reduzidos a um terço do nível do mar e as temperaturas podem atingir -40°C. Especialistas apontam que a ausência de infraestrutura de evacuação aérea no lado norte do Everest, somada à inclinação do terreno e ao peso dos corpos congelados, torna a logística de recuperação uma das mais difíceis no montanhismo mundial.
Logística e próximos passos
Para o sucesso da missão, a ITBP busca equipes especializadas de sherpas capazes de fixar cordas de sustentação em um terreno íngreme e rochoso. O plano prevê que o corpo seja transportado até uma altitude onde possa ser recolhido por helicópteros ou iaques. Após o resgate, o corpo será submetido a testes de DNA para confirmação oficial da identidade antes de ser entregue à família em Ladakh, onde os parentes planejam realizar um funeral com honras de mártir.
A família de Morup, que manteve a esperança de um retorno por trinta anos, aguarda a conclusão da operação para encerrar o ciclo de incertezas. O filho do alpinista, Punchok Dorjai, afirmou que o reconhecimento do pai como um herói nacional é fundamental para o legado da família. A missão, além do aspecto humanitário, representa um esforço logístico sem precedentes para a remoção de um dos corpos mais emblemáticos da história do Everest.
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