EUA dizem que podem manter bloqueio naval ao Irã por tempo indeterminado e tensão aumenta no Estreito de Ormuz
Washington amplia pressão econômica e militar sobre Teerã enquanto os dois países disputam o controle da estratégica rota de petróleo. Impasse nas negociações mantém aceso o risco de uma nova escalada no Oriente Médio e de impactos sobre os preços internacionais da energia.

INTERNACIONAL — A crise entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (13). O governo norte-americano afirmou ter condições militares de manter por tempo indeterminado o bloqueio naval aos portos iranianos, aumentando a pressão sobre Teerã em meio ao impasse diplomático e à disputa pelo controle da navegação no Estreito de Ormuz.
A declaração foi feita pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Segundo ele, a Marinha norte-americana dispõe de capacidade para realizar rotações de navios e manter a operação pelo período que Washington considerar necessário.
A estratégia faz parte da tentativa do governo do presidente Donald Trump de elevar o custo econômico imposto ao Irã enquanto as negociações para uma solução permanente permanecem sem avanço significativo. Ao mesmo tempo, o governo iraniano rejeita as declarações de Washington sobre o controle da região e sustenta que mantém autoridade sobre a passagem pelo estreito.
Disputa por uma das rotas mais importantes do planeta
O Estreito de Ormuz é uma estreita passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã e representa um dos pontos mais estratégicos para o abastecimento mundial de energia.
Antes das atuais restrições, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás comercializados internacionalmente passava pela região, o que explica por que qualquer interrupção prolongada pode provocar efeitos sobre os preços dos combustíveis, transporte e inflação em diferentes países.
Estados Unidos e Irã passaram nesta quinta-feira a apresentar versões concorrentes sobre quem efetivamente controla a navegação pelo estreito. Autoridades iranianas afirmaram que Teerã controla e administra a passagem. Donald Trump, por sua vez, já declarou que as forças norte-americanas exercem controle sobre a região.
Na prática, o cenário permanece marcado por restrições ao tráfego marítimo, operações militares e elevado risco para embarcações comerciais.
Washington promete ampliar ainda mais a pressão
Além do bloqueio naval, o governo dos Estados Unidos sinalizou que novas medidas econômicas contra o Irã podem ser anunciadas nos próximos dias.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, declarou nesta quinta-feira que Washington pretende adotar medidas de isolamento econômico de intensidade inédita contra o país. A declaração reforça a estratégia de combinar pressão militar e financeira para tentar forçar Teerã a aceitar condições para um acordo.
A tensão aumentou depois de sucessivos episódios envolvendo embarcações na região. Nesta semana, forças norte-americanas chegaram a abrir fogo contra um navio de bandeira panamenha que, segundo os Estados Unidos, tentava romper o bloqueio imposto aos portos iranianos.
Paralelamente, ataques contra navios também vêm sendo registrados em outras áreas estratégicas do Oriente Médio, especialmente nas proximidades do Iêmen e do Mar Vermelho, ampliando o risco para algumas das principais rotas comerciais do planeta.
Negociações continuam travadas
Apesar das tentativas de mediação realizadas nas últimas semanas, Estados Unidos e Irã ainda não conseguiram estabelecer um entendimento definitivo.
Um acordo chegou a ser discutido envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz, mas as negociações perderam força diante das divergências sobre as condições exigidas pelos dois lados.
Nesta quinta-feira, informações vindas da região indicavam que não havia progresso significativo para restabelecer o acordo provisório alcançado anteriormente nem uma previsão concreta para sua implementação.
O resultado é um perigoso impasse: Washington mantém a pressão naval sobre o Irã enquanto Teerã utiliza sua posição geográfica sobre Ormuz como instrumento estratégico.
Petróleo reage e mercado acompanha o conflito
O mercado internacional continua extremamente sensível às notícias provenientes do Oriente Médio.
Depois de fortes oscilações nas últimas semanas, o petróleo Brent recuava nesta quinta-feira e chegou a ser negociado próximo de US$ 87 por barril. A queda ocorreu apesar da tensão geopolítica, influenciada pelo aumento dos estoques norte-americanos e pela redução das projeções de demanda feitas por organismos internacionais.
Isso não significa, entretanto, que o risco energético tenha desaparecido.
Nos últimos dias, mudanças nas expectativas em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã provocaram variações bruscas nas cotações. Na segunda-feira, por exemplo, o petróleo havia avançado cerca de 5% depois que diminuíram as perspectivas de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz.
Uma deterioração significativa da segurança marítima poderia novamente atingir as cotações internacionais e repercutir nos preços de derivados e combustíveis em diferentes partes do mundo.
Risco de novo front no Oriente Médio
Outro ponto de atenção é o Iêmen.
Confrontos entre rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e forças ligadas ao governo iemenita voltaram a aumentar. Os combates levantaram receio de que uma guerra civil de grandes proporções possa novamente se intensificar no país e abrir mais um foco de instabilidade regional.
Os houthis também foram associados a novos ataques contra embarcações e instalações de energia. Um ataque com mísseis contra uma embarcação comercial no estreito de Bab el-Mandeb deixou seis mortos nesta semana, segundo informações divulgadas sobre o episódio.
Bab el-Mandeb é outra passagem marítima estratégica, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. A combinação de instabilidade naquela região com os problemas no Estreito de Ormuz cria um cenário especialmente delicado para o transporte internacional.
O que acontece agora
Os próximos dias serão decisivos para determinar se Washington e Teerã voltarão à mesa de negociações ou aprofundarão a estratégia de pressão militar e econômica.
Por enquanto, nenhum dos lados demonstra disposição para abandonar suas principais exigências.
Para o restante do mundo, porém, a preocupação ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio. Uma escalada envolvendo o Estreito de Ormuz pode afetar fornecimento de energia, transporte marítimo, inflação e crescimento econômico em escala internacional.
O equilíbrio permanece frágil: qualquer incidente envolvendo forças militares ou grandes embarcações comerciais pode transformar rapidamente o atual impasse em uma nova escalada do conflito.
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