Manchas de óleo no Golfo e vazamento em Omã ampliam alerta ambiental na região
Satélites indicam dois novos episódios em águas iranianas, enquanto vazamento de navio encalhado atinge área protegida de Omã; causas e extensão seguem sob apuração.

Imagens de satélite indicam dois novos episódios em águas iranianas, enquanto vazamento de navio encalhado atinge área protegida na costa de Omã; causas e extensão ainda são apuradas.
MASCATE — O aparecimento de duas manchas no Golfo, em águas iranianas, e o avanço de um grande vazamento de petróleo na costa de Omã elevaram o alerta ambiental nesta sexta-feira (14). Os episódios são distintos, segundo as informações disponíveis, mas atingem uma mesma região marcada por intenso tráfego de navios, biodiversidade sensível e dificuldades operacionais causadas pela tensão militar.
Imagens de satélite e vídeos analisados pela agência Reuters mostram uma mancha nas proximidades da ilha iraniana de Qeshm e outra perto da ilha de Sirri. Ainda não há confirmação independente sobre a origem e a composição de todo o material detectado. Autoridades iranianas informaram que apuram o envolvimento de uma embarcação estrangeira em um dos casos.
Manchas em águas iranianas
Na área de Qeshm, pesquisadores identificaram trechos com aparência compatível com óleo combustível pesado e uma faixa mais leve que se estenderia por cerca de 160 quilômetros. Uma das hipóteses examinadas é a relação com o navio Minoan Pioneer, atingido no início de agosto. A Reuters ressaltou que não conseguiu confirmar de forma independente a causa do derramamento.
A segunda mancha foi observada por satélite nas proximidades de Sirri, onde há instalações de produção offshore. As imagens permitem localizar alterações na superfície do mar, mas a confirmação do tipo de substância exige análise adicional e trabalho de campo.
Vazamento separado ameaça Omã
Em outro ponto da região, o petroleiro Caroline Bezengi, encalhado próximo a uma reserva marinha de Omã, continua vazando petróleo de origem russa. Autoridades omanenses estimaram inicialmente uma área afetada de centenas de quilômetros quadrados; análises posteriores mencionadas por organizações internacionais indicaram que a dispersão poderia alcançar até 2 mil quilômetros quadrados.
Parte do óleo chegou à costa perto de Ras Madraka e da ilha de Masirah. A região abriga espécies ameaçadas, como a baleia-jubarte do mar da Arábia, além de aves marinhas e áreas de reprodução. Equipes de salvamento e resposta a derramamentos foram mobilizadas, mas ventos, ondas de monção e o estado da embarcação dificultam a contenção e a retirada da carga remanescente.
Risco ambiental e navegação
O petróleo pode sufocar organismos, contaminar praias e manguezais e atingir peixes, aves e mamíferos marinhos. A duração do impacto depende do tipo de óleo, das correntes, da temperatura e da rapidez da resposta. Comunidades pesqueiras também podem sofrer restrições e perdas econômicas caso a contaminação se espalhe.
Especialistas defendem monitoramento contínuo por satélite, coleta de amostras e cooperação internacional. A navegação comercial segue sob pressão no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o mercado mundial de energia, o que torna mais complexos o acesso às áreas afetadas e a coordenação das operações ambientais.
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