Pesquisas brasileiras avançam em quimioterapia nasal e marcador para recaída de leucemia
Trabalhos reconhecidos pelo Icesp investigam novas estratégias contra glioblastoma e leucemia, mas ainda dependem de validação clínica.

Projetos premiados investigam uma rota nasal para levar quimioterápico ao cérebro e um marcador capaz de antecipar recaídas de leucemia; resultados ainda dependem de novas validações.
SÃO PAULO — Duas pesquisas brasileiras voltadas ao diagnóstico e ao tratamento do câncer foram reconhecidas na 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, promovido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Os trabalhos abordam desafios distintos: atravessar as barreiras que dificultam a chegada de medicamentos ao cérebro e identificar pacientes com maior risco de recaída de leucemia mieloide aguda.
Na categoria Inovação Tecnológica em Oncologia, o estudo liderado pela pesquisadora Natália Noronha Ferreira desenvolveu nanopartículas capazes de transportar o quimioterápico temozolomida pela via nasal. As partículas são revestidas com membranas de células tumorais, estratégia planejada para favorecer o direcionamento ao glioblastoma, um tumor cerebral agressivo.
Atalho experimental até o cérebro
O trabalho foi desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo. O repositório da USP registra a pesquisa científica sobre a entrega “do nariz ao cérebro” de nanopartículas biomiméticas, publicada em 2025. Em modelos experimentais, a abordagem buscou levar o fármaco ao tumor com maior precisão e reduzir a exposição do restante do organismo.
Isso não significa que exista uma quimioterapia nasal disponível para pacientes. A tecnologia permanece em fase de pesquisa e ainda precisa passar por novas etapas de segurança, eficácia e estudos clínicos antes de qualquer uso rotineiro. O cuidado com essa distinção é essencial para evitar falsas expectativas em pessoas em tratamento.
DNA mitocondrial e risco de recaída
Na categoria Pesquisa em Oncologia, o prêmio foi concedido ao trabalho de Juan Coelho-Silva sobre o DNA mitocondrial como possível marcador de recaída na leucemia mieloide aguda. Segundo a apresentação dos resultados, quantidades mais elevadas desse material genético foram associadas a maior risco de retorno da doença.
A proposta é utilizar uma medição por PCR, técnica já difundida em laboratórios, para ajudar a separar grupos de maior e menor risco. Essa informação poderia orientar o acompanhamento e a investigação de tratamentos mais adequados. Os pesquisadores também testaram medicamentos em modelos laboratoriais, entre eles a metformina, mas isso não autoriza o uso do remédio fora de indicação médica nem comprova benefício clínico para pacientes com leucemia.
Reconhecimento à prevenção
A cerimônia também homenageou a cientista Luisa Lina Villa por sua contribuição à pesquisa sobre o HPV e os cânceres associados ao vírus. O conjunto dos trabalhos premiados mostra como a oncologia avança em frentes complementares — prevenção, identificação de risco e desenvolvimento de novas formas de tratamento.
Para pacientes e familiares, a orientação permanece a mesma: decisões terapêuticas devem ser tomadas com a equipe responsável pelo acompanhamento. Resultados experimentais divulgados em premiações científicas não substituem protocolos aprovados pelas autoridades sanitárias.
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