Atividade econômica cai 0,64% em junho e sinaliza perda de ritmo no Brasil
IBC-Br divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17) mostra retração maior que a esperada no mês. Apesar da queda, atividade econômica ainda fechou o segundo trimestre de 2026 com crescimento de 0,18%.

BRASÍLIA — A economia brasileira apresentou sinais mais claros de desaceleração no encerramento do primeiro semestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,64% em junho, na comparação com maio, considerando os dados com ajuste sazonal.
O resultado, divulgado nesta segunda-feira (17), foi pior que a expectativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam retração de aproximadamente 0,53%.
Apesar do desempenho negativo de junho, o trimestre terminou no campo positivo: entre abril e junho, o IBC-Br avançou 0,18% em relação aos três primeiros meses de 2026. O resultado confirma crescimento, mas em ritmo bem menor que o observado no início do ano.
Indústria e serviços recuam
A composição do indicador ajuda a explicar a queda registrada em junho.
A indústria recuou 1,35% no mês, enquanto o setor de serviços caiu 0,52%. A agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou crescimento de 0,96%.
Na análise do segundo trimestre como um todo, a indústria cresceu cerca de 0,5% e a agropecuária avançou aproximadamente 0,3%. Os serviços, maior setor da economia brasileira, apresentaram leve retração de aproximadamente 0,1%.
O desempenho dos serviços merece atenção justamente pelo peso do setor na atividade econômica e na geração de empregos.
Economia perde força após início de ano mais aquecido
O resultado do segundo trimestre evidencia uma desaceleração em relação ao começo de 2026.
A economia brasileira havia registrado crescimento de 1,1% no primeiro trimestre, segundo o Produto Interno Bruto oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais referentes ao segundo trimestre serão divulgados pelo instituto em 1º de setembro.
O IBC-Br não é o próprio PIB, mas funciona como um importante termômetro mensal da atividade econômica e é utilizado pelo mercado para antecipar tendências antes da divulgação das contas nacionais pelo IBGE. O indicador é produzido e divulgado mensalmente pelo Banco Central.
Comparação anual ainda permanece positiva
Mesmo com a queda mensal, a atividade econômica medida pelo IBC-Br ficou 2,35% acima do nível registrado em junho de 2025.
Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, houve crescimento de 1,46%.
Os números mostram, portanto, duas leituras importantes: a economia continua acima do nível registrado há um ano, mas perdeu velocidade nos meses mais recentes.
Juros elevados continuam no radar
O comportamento da atividade econômica ocorre em um cenário de crédito ainda caro. Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução dos juros, a taxa Selic permanece em 14% ao ano, patamar elevado e que continua exercendo pressão sobre consumo, investimentos e financiamentos.
A desaceleração da atividade deverá entrar novamente no radar do mercado e do Banco Central nas próximas decisões sobre política monetária.
O dado desta segunda-feira reforça a atenção sobre o desempenho da economia no segundo semestre: o Brasil ainda cresce na comparação trimestral e anual, mas junho trouxe um sinal relevante de perda de fôlego.
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