Bolsa tenta reação após dez quedas seguidas; dólar ronda R$ 5,20 e petróleo supera US$ 90
Ibovespa voltou ao campo positivo nesta terça-feira, mas retirada de mais de R$ 15 bilhões por investidores estrangeiros em agosto e tensão no Oriente Médio mantêm mercado brasileiro sob pressão.

SÃO PAULO (SP) — O mercado financeiro brasileiro tenta interromper nesta terça-feira (18) uma sequência negativa que derrubou a Bolsa durante dez pregões consecutivos. O Ibovespa voltou a operar em alta nesta manhã, enquanto o dólar permaneceu próximo de R$ 5,20 e o petróleo Brent se manteve acima dos US$ 90 por barril.
O movimento, entretanto, ainda é de cautela. Além do cenário internacional marcado pela crise envolvendo Estados Unidos e Irã, o mercado doméstico acompanha uma expressiva retirada de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira.
Entre os dias 3 e 13 de agosto, o saldo de capital externo no mercado acionário da B3 ficou negativo em aproximadamente R$ 15,63 bilhões, segundo levantamento baseado nos dados da Bolsa.
Bolsa tenta encerrar sequência de perdas
Depois de dez sessões consecutivas no vermelho, o Ibovespa iniciou o pregão desta terça-feira em recuperação.
Na abertura, o principal índice da B3 avançava cerca de 0,26%, aos 167,2 mil pontos, e ampliou os ganhos durante a manhã.
A reação, porém, ocorre depois de uma forte sequência de realização de lucros e retirada de capital estrangeiro.
Apesar das perdas recentes, o Ibovespa ainda acumula valorização no ano. O comportamento das próximas sessões será acompanhado de perto para saber se o movimento desta terça-feira representa apenas uma correção técnica ou o início de uma recuperação mais consistente.
Estrangeiros retiram mais de R$ 15 bilhões
Um dos principais sinais de alerta está no fluxo internacional.
O levantamento da Elos Ayta, elaborado a partir dos dados da B3, aponta uma retirada líquida de R$ 15,63 bilhões por investidores estrangeiros entre 3 e 13 de agosto.
A saída de recursos pressiona o mercado de ações porque reduz a demanda por papéis brasileiros e pode contribuir também para maior volatilidade no câmbio.
O movimento ocorre em um período marcado por aumento das incertezas internacionais, alta do petróleo e maior aversão global ao risco.
Dólar permanece perto de R$ 5,20
No câmbio, o dólar iniciou a sessão desta terça-feira com leve valorização e chegou a ser negociado próximo de R$ 5,21.
Às 9h09, a moeda norte-americana avançava 0,15%, cotada a R$ 5,2074, enquanto o contrato futuro de setembro operava próximo de R$ 5,22.
Ao longo da manhã, a moeda passou a oscilar entre pequenas altas e baixas, acompanhando mudanças no humor externo.
Para empresas e consumidores, uma valorização persistente do dólar pode produzir efeitos sobre produtos importados, combustíveis, insumos industriais e componentes utilizados pela indústria brasileira.
Petróleo volta a superar US$ 90
O principal fator externo desta terça-feira está novamente no mercado de energia.
O petróleo Brent, referência internacional, chegou à região de US$ 91 por barril, atingindo níveis próximos das máximas das últimas três semanas. O WTI norte-americano voltou à região de US$ 85.
Na segunda-feira (17), o Brent já havia encerrado o dia em US$ 90,87, alta de 2,65%.
A valorização está relacionada ao enfraquecimento das perspectivas de um acordo entre Estados Unidos e Irã e às dificuldades envolvendo o tráfego de petróleo pelo Estreito de Hormuz, uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo.
Crise em Hormuz preocupa economia mundial
A preocupação dos mercados vai além do preço do barril.
A Reuters aponta que o volume diário transportado pelo Estreito de Hormuz caiu drasticamente em relação aos níveis anteriores ao conflito, fazendo com que investidores passem a considerar a possibilidade de uma interrupção prolongada no fornecimento de energia.
O petróleo caro pode pressionar custos de transporte, combustíveis, produção industrial e inflação em diferentes países.
É justamente esse risco que voltou a afetar os mercados de títulos públicos internacionais nesta terça-feira.
Nos Estados Unidos, os juros dos títulos do Tesouro de 30 anos chegaram ao maior nível desde 2007, em meio às preocupações com inflação, petróleo e situação fiscal.
Bolsas internacionais também sentem pressão
A cautela não está limitada ao Brasil.
Mercados asiáticos fecharam em queda nesta terça-feira, e bolsas europeias também iniciaram o dia pressionadas pela combinação entre petróleo caro, juros elevados e incerteza geopolítica.
O índice Nikkei, do Japão, chegou a cair mais de 2% na sessão, enquanto os investidores internacionais passaram a reduzir posições de maior risco.
Casas Bahia também movimenta o pregão
No ambiente corporativo brasileiro, outro ponto de atenção é a situação da Casas Bahia.
As ações da companhia sofreram forte queda após o pedido de recuperação judicial, enquanto investidores passaram a reavaliar empresas do setor varejista.
O caso adiciona volatilidade a um mercado que já enfrenta pressão externa e saída de investidores internacionais.
O que acompanhar agora
Para o restante desta terça-feira e nos próximos dias, quatro fatores devem permanecer no radar:
a cotação do petróleo, especialmente diante da situação no Estreito de Hormuz;
o comportamento do dólar, atualmente próximo de R$ 5,20;
o fluxo de investidores estrangeiros na B3;
e a evolução dos juros internacionais, que influencia diretamente a atratividade de mercados emergentes como o Brasil.
A recuperação da Bolsa nesta manhã oferece um primeiro alívio depois da longa sequência de quedas, mas o cenário continua sujeito a forte volatilidade.
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