Ucrânia lança quase 800 drones contra Rússia; ataque russo mata 10 em Kharkiv
Troca de ataques de longa distância alcança um dos níveis mais intensos da guerra nesta terça-feira; mais de 600 drones foram direcionados à região de Moscou, enquanto míssil russo atingiu área civil no nordeste ucraniano.

KIEV/MOSCOU — A guerra entre Rússia e Ucrânia viveu nesta terça-feira (18) uma das mais intensas trocas de ataques aéreos de longa distância desde o início do conflito. A Ucrânia lançou quase 800 drones contra território controlado pela Rússia, enquanto um ataque russo matou 10 pessoas na região ucraniana de Kharkiv.
Segundo o Ministério da Defesa russo, as defesas aéreas interceptaram 791 drones ucranianos durante a ofensiva noturna, incluindo aparelhos sobre diferentes regiões russas, a Crimeia anexada e os mares Negro e de Azov.
Mais de 600 drones seguiram em direção à região de Moscou. O prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, afirmou que 180 foram abatidos sobre a região metropolitana.
Um dos maiores ataques contra Moscou
A dimensão da operação coloca a ofensiva entre as maiores já realizadas pela Ucrânia contra território russo.
A estratégia de Kiev tem sido ampliar o alcance dos ataques para atingir instalações de logística, depósitos, refinarias e outras estruturas que, segundo o governo ucraniano, auxiliam a capacidade militar da Rússia.
Na região de Moscou, autoridades informaram que três pessoas ficaram feridas. Outras três teriam sido atingidas na região de Ryazan, onde casas também sofreram danos.
Um incêndio também foi registrado em um armazém da Wildberries, maior varejista on-line da Rússia. A empresa afirmou que os danos no local foram pequenos.
Ataque russo deixa 10 mortos em área civil
Enquanto os drones atingiam território russo, um ataque com mísseis atingiu Pechenihy, na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia.
De acordo com autoridades ucranianas, dez pessoas morreram e pelo menos 18 ficaram feridas.
O ataque atingiu uma movimentada área central da localidade, próxima a correios, lojas, residências e um café.
Imagens registradas após a explosão mostram veículos completamente incendiados, destroços espalhados pela rua e prédios danificados.
Dois mísseis teriam sido usados
Informações preliminares divulgadas pela Procuradoria-Geral da Ucrânia indicam que teriam sido utilizados dois pequenos mísseis de cruzeiro Banderol.
O ataque danificou dez imóveis residenciais, um café, uma agência dos correios, cinco estabelecimentos comerciais e pelo menos 15 veículos, de acordo com autoridades locais.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que o ataque terá resposta de Kiev.
A Rússia não havia apresentado comentário imediato especificamente sobre o episódio em Pechenihy no momento das primeiras informações divulgadas.
Guerra aérea ganha intensidade
Os episódios desta terça-feira mostram uma mudança cada vez mais perceptível no conflito: mesmo com poucas alterações significativas na linha de frente, a guerra está se expandindo por meio de drones e mísseis de longo alcance.
A Ucrânia desenvolveu nos últimos anos uma capacidade crescente de produzir drones capazes de percorrer centenas de quilômetros e atingir alvos no interior da Rússia.
Moscou, por sua vez, intensificou durante o verão europeu os ataques aéreos contra cidades e infraestrutura ucranianas.
Segundo a Reuters, a estratégia russa busca também explorar a escassez de interceptadores disponíveis nas defesas aéreas da Ucrânia.
Mortes de civis voltam a crescer
O impacto sobre a população civil também voltou a preocupar organizações internacionais.
A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas informou recentemente que o número de vítimas civis na Ucrânia aumentou quase um terço em julho em comparação com o mês anterior.
A ONU informou que está reunindo informações específicas sobre o ataque desta terça-feira em Pechenihy e suas consequências para civis.
Rússia também eleva tensão com Reino Unido
A escalada ganhou ainda um componente diplomático.
Moscou advertiu o Reino Unido sobre possíveis consequências após relatos de que drones produzidos por empresas britânicas teriam sido utilizados pela Ucrânia em ataques dentro da Rússia.
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham respondeu afirmando que Londres continuará apoiando a Ucrânia.
O Reino Unido prevê fornecer 150 mil drones à Ucrânia até o fim de 2026, dentro de um programa de apoio militar avaliado em centenas de milhões de libras.
Conflito entra em fase ainda mais imprevisível
Os acontecimentos desta terça-feira demonstram que a guerra está se tornando cada vez menos limitada geograficamente às regiões ocupadas e à linha de combate no leste e sul da Ucrânia.
Ataques ucranianos atingem com frequência crescente áreas profundas do território russo, enquanto Moscou continua utilizando mísseis e drones contra cidades e infraestrutura ucranianas.
Com centenas de aeronaves não tripuladas lançadas em uma única noite e novas mortes de civis registradas em Kharkiv, a escalada aérea passa a ser um dos principais elementos desta nova fase da guerra.
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