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Segundo suspeito de explosões do Nord Stream é preso na Croácia quatro anos após sabotagem

Ucraniano apontado como mergulhador que teria participado da instalação de explosivos nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 foi detido nesta quarta-feira; Alemanha pedirá extradição e investigação avança sobre uma das maiores sabotagens de infraestrutura energética da Europa.

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INTERNACIONAL — Quase quatro anos depois das explosões que destruíram trechos dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 no Mar Báltico, a investigação alemã alcançou um novo e importante avanço nesta quarta-feira, 19 de agosto.

Um cidadão ucraniano identificado pelas autoridades alemãs como Vladimir Z. foi preso na cidade de Pula, na Croácia, com base em um mandado europeu de prisão. Ele é apontado pelos investigadores como um dos mergulhadores que teriam participado diretamente da colocação das cargas explosivas nos gasodutos em setembro de 2022.

A prisão é considerada um dos desenvolvimentos mais significativos da investigação até agora porque o suspeito não estaria apenas ligado ao planejamento, mas à própria execução da operação submarina.

Investigadores dizem que suspeito participou da colocação dos explosivos

Segundo a acusação alemã, Vladimir Z. teria integrado o grupo responsável por transportar explosivos e instalar as cargas nos gasodutos localizados no fundo do Mar Báltico, nas proximidades da ilha dinamarquesa de Bornholm.

O suspeito seria um mergulhador treinado e teria participado da missão realizada a partir de uma embarcação utilizada pelo grupo.

As cargas teriam sido posicionadas a dezenas de metros de profundidade e posteriormente detonadas.

As explosões aconteceram em 26 de setembro de 2022 e provocaram enormes vazamentos de gás, além de inutilizar partes importantes dos dois sistemas.

O que eram os gasodutos Nord Stream

O Nord Stream foi criado para transportar gás natural diretamente da Rússia para a Alemanha pelo fundo do Mar Báltico.

O Nord Stream 1 entrou em operação em 2011 e durante anos foi uma das principais rotas de fornecimento de gás russo para a Europa.

Já o Nord Stream 2 havia sido concluído pouco antes da invasão russa da Ucrânia, mas nunca chegou a operar comercialmente.

Com capacidade para transportar dezenas de bilhões de metros cúbicos de gás por ano, os dois sistemas tinham enorme importância econômica e geopolítica.

Após o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, o fornecimento energético russo tornou-se um dos principais instrumentos de pressão entre Moscou e os países europeus.

Explosões aconteceram em meio à guerra da Ucrânia

As explosões ocorreram apenas sete meses depois do início da invasão russa.

Na época, grandes volumes de gás foram vistos emergindo na superfície do Mar Báltico.

Dinamarca e Suécia registraram as explosões e rapidamente passaram a tratar o episódio como possível sabotagem deliberada.

Desde então, diferentes países abriram investigações.

A Alemanha manteve uma das apurações mais abrangentes e passou a trabalhar com a hipótese de que uma equipe ucraniana teria realizado a operação utilizando uma embarcação alugada com documentos falsos.

Outro ucraniano já responde pelo caso

Vladimir Z. é o segundo suspeito diretamente alcançado pelas autoridades alemãs.

Outro cidadão ucraniano, identificado como Serhii K., já havia sido preso anteriormente e atualmente responde a acusações na Alemanha.

Segundo a Procuradoria alemã, Serhii K. seria um dos responsáveis pela coordenação da operação que resultou nas explosões.

Ele nega envolvimento.

A investigação alemã sustenta que o grupo utilizou uma embarcação de recreio para transportar equipamentos de mergulho e explosivos até a região dos gasodutos.

Prisão ocorreu após mandado europeu

Vladimir Z. foi detido pelas autoridades croatas nesta quarta-feira em Pula, cidade localizada na costa do Mar Adriático.

A prisão ocorreu com base em um Mandado Europeu de Detenção expedido pela Alemanha.

Agora, a Justiça croata deverá analisar o processo de extradição.

Caso a entrega seja autorizada, o suspeito deverá ser transferido para a Alemanha e apresentado a um juiz federal.

Suspeito já havia escapado de prisão anteriormente

O nome de Vladimir Z. já havia aparecido nas investigações em anos anteriores.

Em 2024, autoridades alemãs emitiram um mandado contra um mergulhador ucraniano investigado pelo caso.

Na época, a Alemanha solicitou à Polônia que realizasse a prisão, mas o suspeito deixou o território polonês antes que a detenção fosse efetivada.

O episódio alimentou críticas sobre a cooperação entre países europeus na investigação.

A prisão desta quarta-feira, portanto, encerra uma busca que se prolongava havia aproximadamente dois anos.

Investigação aponta operação sofisticada

As informações divulgadas pelas autoridades revelam uma operação de elevada complexidade.

Para alcançar os gasodutos, a equipe precisava localizar precisamente as estruturas submarinas, transportar explosivos, realizar mergulhos em grande profundidade e instalar cargas capazes de romper tubulações construídas para suportar enormes pressões.

Os investigadores alemães sustentam que o grupo utilizou grandes quantidades de explosivos de uso militar.

A embarcação empregada na missão teria sido alugada por meio de intermediários utilizando documentos de identificação falsificados.

Alemanha investiga eventual ligação com estruturas estatais ucranianas

A investigação avançou também sobre a possibilidade de que integrantes da operação possuíssem vínculos com estruturas militares da Ucrânia.

No processo contra Serhii K., promotores alemães passaram a sustentar que a operação teria sido realizada no contexto da guerra e com participação de pessoas relacionadas ao aparato militar ucraniano.

Isso, porém, não equivale automaticamente a uma comprovação de que o governo ucraniano tenha oficialmente ordenado a sabotagem.

A responsabilidade política e institucional pelo ataque continua sendo um dos pontos mais sensíveis e ainda investigados do caso.

Ucrânia sempre negou responsabilidade oficial

Desde as primeiras acusações, autoridades ucranianas negaram que o governo de Kiev tivesse ordenado as explosões.

A eventual participação de cidadãos ucranianos, portanto, não resolve sozinha a principal questão política:

quem planejou, financiou e autorizou a operação?

Essa pergunta continua aberta.

A Alemanha tenta agora determinar se a ação foi executada por iniciativa de um grupo independente, por integrantes ligados às Forças Armadas ucranianas ou por uma estrutura maior.

Rússia acusa países ocidentais

Moscou apresentou, ao longo dos últimos anos, versões diferentes da investigação ocidental.

Autoridades russas classificaram repetidamente as explosões como um ato de sabotagem internacional e já acusaram países ocidentais de tentar esconder os responsáveis.

A Rússia também utilizou politicamente o episódio para sustentar que os ataques tiveram como objetivo eliminar uma das principais rotas de exportação de gás russo para a Europa.

Até o momento, porém, não foram apresentadas provas públicas conclusivas que sustentem todas as acusações feitas pelos diferentes governos.

Por que o Nord Stream era tão estratégico

Antes da guerra, grande parte do modelo energético alemão dependia do gás russo.

A Alemanha utilizava essa fonte para abastecer indústrias, gerar energia e aquecer milhões de residências.

O Nord Stream permitia que o gás chegasse diretamente ao território alemão sem atravessar países intermediários.

Por isso, as explosões tiveram consequências muito maiores do que os danos físicos aos gasodutos.

O episódio agravou a crise energética europeia, aumentou a tensão política e simbolizou a ruptura definitiva de uma relação energética construída durante décadas entre Alemanha e Rússia.

Explosões mudaram mercado de energia europeu

Depois da invasão da Ucrânia e da destruição dos gasodutos, a Europa acelerou drasticamente a busca por alternativas ao gás russo.

Países europeus passaram a importar mais gás natural liquefeito dos Estados Unidos, Catar e outros fornecedores.

Novos terminais foram construídos e contratos energéticos foram redirecionados.

Em poucos anos, a dependência europeia do gás russo caiu de forma expressiva.

O ataque ao Nord Stream, portanto, acabou inserido em uma transformação histórica do mercado energético europeu.

Caso ainda está longe de terminar

A prisão desta quarta-feira representa um avanço importante, mas não encerra a investigação.

As autoridades alemãs ainda precisam esclarecer completamente:

  • quem financiou a missão;
  • quem definiu os alvos;
  • quem forneceu os explosivos;
  • qual foi a cadeia de comando;
  • se existiu participação institucional de algum governo;
  • e quem efetivamente autorizou a execução da sabotagem.

A eventual extradição de Vladimir Z. poderá fornecer novas informações para responder a algumas dessas perguntas.

Um dos maiores mistérios da guerra volta ao centro das atenções

Durante quase quatro anos, as explosões do Nord Stream alimentaram teorias, acusações cruzadas e disputas políticas entre Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e países europeus.

A prisão de um segundo suspeito não resolve definitivamente o mistério, mas coloca novamente a investigação em uma fase decisiva.

Se as autoridades alemãs conseguirem reconstruir toda a cadeia de comando da operação, o resultado poderá produzir consequências não apenas criminais, mas também diplomáticas.

Afinal, destruir deliberadamente uma infraestrutura energética internacional no contexto de uma guerra ultrapassa os limites de um crime comum.

Trata-se de uma ação com potencial para atingir relações entre Estados, segurança energética e alianças militares.

Quatro anos depois, a pergunta central permanece:

quem realmente mandou explodir o Nord Stream?

A prisão realizada nesta quarta-feira pode aproximar a investigação dessa resposta.


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