Granizo leva cinco cidades do Paraná à Situação de Emergência; mais de 2 mil casas foram danificadas
Reserva, Santa Maria do Oeste, Marquinho, Palmital e Cândido de Abreu tiveram decretos homologados pelo Estado. Defesa Civil já distribuiu 32 mil telhas e ajuda humanitária; boletim estadual registra 8,7 mil pessoas afetadas por temporais desde a última semana.

PARANÁ — As fortes tempestades que atingiram diferentes regiões do Paraná nos últimos dias deixaram um rastro de destruição e levaram cinco municípios a decretar Situação de Emergência.
Os decretos de Reserva, Santa Maria do Oeste, Marquinho, Palmital e Cândido de Abreu foram homologados pelo Governo do Estado depois dos estragos provocados principalmente pelas tempestades de granizo registradas na última semana.
O balanço oficial da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, atualizado nesta quarta-feira (19), aponta 25 municípios atingidos, 8.702 pessoas afetadas e 2.066 residências danificadas pelas ocorrências registradas entre os dias 13 e 19 de agosto.
Também foram contabilizadas 21 pessoas desalojadas, 58 desabrigadas e uma residência completamente destruída. Até a atualização das 9 horas desta quarta-feira, não havia registro de mortes relacionadas a essas ocorrências.
Santa Maria do Oeste concentra os maiores estragos
Entre as cidades em Situação de Emergência, Santa Maria do Oeste apresenta o cenário mais grave.
Segundo o Sistema Informatizado da Defesa Civil, o município contabiliza 4.336 pessoas afetadas, 1.014 residências danificadas e 58 pessoas desabrigadas após a tempestade de granizo do dia 14.
Somente Santa Maria do Oeste concentra quase metade das casas danificadas registradas no balanço estadual.
A quantidade de imóveis atingidos exigiu uma grande operação para fornecimento de materiais destinados à cobertura emergencial das residências.
Reserva tem mais de 1,3 mil pessoas afetadas
Em Reserva, também nos Campos Gerais, o granizo atingiu 1.369 pessoas.
O boletim contabiliza 404 casas danificadas no município.
A dimensão dos danos colocou Reserva entre as cidades prioritárias para recebimento de telhas e demais materiais enviados pela Defesa Civil.
Cândido de Abreu registra 180 imóveis danificados
Outro município bastante atingido foi Cândido de Abreu.
A Defesa Civil contabiliza 720 pessoas afetadas e 180 residências danificadas.
O município também teve seu decreto de Situação de Emergência homologado pelo Estado.
Marquinho e Palmital também entram em emergência
Em Marquinho, foram contabilizadas 395 pessoas afetadas, cinco desalojadas e 100 casas danificadas.
Já Palmital registrou 300 pessoas afetadas, oito desalojadas e 75 residências danificadas.
Somados, os cinco municípios em Situação de Emergência concentram 7.120 pessoas afetadas e 1.773 casas danificadas.
Isso representa a maior parte dos danos contabilizados atualmente no Paraná.
Estado já enviou 32 mil telhas
Diante da quantidade de imóveis atingidos, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil iniciou a distribuição emergencial de materiais aos municípios.
Desde sábado (15), já foram enviadas 32 mil telhas para seis cidades.
Os materiais atenderam:
Santa Maria do Oeste: 1.014 residências danificadas
Reserva: 404
Cândido de Abreu: 180
Marquinho: 100
Morretes: 80
Palmital: 75.
Morretes aparece nessa relação mesmo sem estar entre os cinco municípios em Situação de Emergência porque também teve número expressivo de residências atingidas.
Cestas básicas, colchões e kits também foram distribuídos
O atendimento não ficou restrito às telhas.
A Defesa Civil distribuiu ainda 560 cestas básicas, 660 colchões de solteiro e 635 kits dormitório, compostos por itens como cobertores, lençóis, fronhas e travesseiros.
Também foram encaminhados 325 kits de higiene e 245 kits de limpeza para auxiliar as famílias que tiveram suas residências atingidas.
O material é destinado principalmente às áreas onde os temporais comprometeram telhados, móveis e condições básicas de permanência nas residências.
O que muda com a Situação de Emergência?
A homologação estadual dos decretos produz efeitos administrativos importantes.
Os documentos têm validade de 180 dias e permitem aos municípios acelerar ações emergenciais, inclusive com dispensa de licitação em determinadas compras diretamente relacionadas ao desastre.
As prefeituras podem, por exemplo, adquirir itens de assistência humanitária, executar intervenções urgentes e trabalhar na recuperação de serviços essenciais com procedimentos administrativos simplificados.
Os cinco municípios aguardam agora também o reconhecimento federal da Situação de Emergência.
Reconhecimento federal pode liberar novos benefícios
O reconhecimento pela União pode ampliar as possibilidades de apoio aos municípios e às famílias atingidas.
Entre os mecanismos possíveis estão repasses para ações de resposta e reconstrução, além de medidas como saque do FGTS para moradores de áreas oficialmente reconhecidas e linhas específicas de crédito destinadas aos produtores rurais prejudicados, desde que atendidos os requisitos de cada programa.
Esse ponto tem especial importância porque grande parte das cidades mais atingidas possui forte atividade agrícola.
O granizo pode causar perdas que vão muito além dos telhados das residências, atingindo lavouras, estruturas produtivas, equipamentos e instalações rurais.
Araucária também aparece no boletim da Defesa Civil
Embora não esteja entre os municípios que decretaram Situação de Emergência, Araucária também aparece no levantamento estadual.
O boletim registra ocorrência de granizo no município no dia 13 de agosto, com três pessoas classificadas como afetadas e uma residência destruída.
A ocorrência integra o mesmo período de instabilidade atmosférica que provocou danos em diferentes pontos do Paraná.
Também aparecem no levantamento municípios da Região Metropolitana como Agudos do Sul, Campo do Tenente, Campo Magro, Colombo, Contenda e Pinhais, atingidos por granizo, vendavais ou deslizamentos.
25 municípios tiveram algum tipo de ocorrência
O impacto das tempestades não ficou restrito às cinco cidades em emergência.
O levantamento estadual relaciona 25 municípios com ocorrências entre 13 e 19 de agosto.
Além do granizo, foram registrados vendavais e deslizamentos.
Entre as cidades que tiveram danos aparecem ainda Cambé, Candói, Cascavel, Goioxim, Imbaú, Laranjal, Londrina, Morretes, Paulo Frontin, Pitanga, Prudentópolis e Tibagi.
Em Morretes, por exemplo, foram contabilizadas 400 pessoas afetadas e 80 casas danificadas pelo granizo. Tibagi também teve 400 pessoas afetadas e 100 residências atingidas.
Reconstrução deve continuar nos próximos dias
Passada a fase mais imediata dos temporais, a atenção passa agora para a recuperação das cidades.
A troca de telhados é uma das necessidades mais urgentes, mas os municípios também terão de contabilizar danos em prédios públicos, infraestrutura urbana, propriedades rurais e serviços essenciais.
As equipes municipais precisam ainda elaborar documentos técnicos e levantamentos de prejuízos necessários para solicitar recursos estaduais e federais.
O balanço poderá continuar sendo atualizado conforme novas informações forem inseridas pelas Defesas Civis municipais.
Até agora, os números já demonstram a dimensão da sequência de temporais: mais de 8,7 mil pessoas atingidas e mais de duas mil residências danificadas em menos de uma semana no Paraná.
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