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Disputa pelo Senado no Paraná fica aberta: cinco nomes formam bloco principal por duas vagas

Deltan Dallagnol aparece numericamente à frente em dois levantamentos recentes, mas Alexandre Curi, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Cristina Graeml mantêm disputa competitiva; eleitor escolherá dois senadores em outubro

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PARANÁ — A corrida pelas duas vagas do Paraná no Senado Federal entra na fase decisiva da campanha com um cenário muito mais aberto do que uma simples leitura da primeira colocação pode sugerir.

Dois levantamentos divulgados nesta semana — um do Paraná Pesquisas e outro do Real Time Big Data — colocam Deltan Dallagnol (Novo) numericamente na primeira posição, mas mostram um grupo de pelo menos cinco candidaturas competitivas.

Além de Deltan, aparecem no bloco principal:

  • Alexandre Curi (Republicanos);
  • Filipe Barros (PL);
  • Gleisi Hoffmann (PT);
  • Cristina Graeml (PSD).

A disputa possui uma característica fundamental: nas eleições de 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado.

Por isso, a eleição não deve ser interpretada da mesma maneira que uma corrida para governador ou presidente.

Real Time mostra cinco candidatos separados por seis pontos

Pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (18), apresenta o cenário mais recente entre os levantamentos analisados.

No resultado consolidado do primeiro e do segundo voto, reduzido para uma escala de 100%, os números são:

Deltan Dallagnol (Novo): 19%
Alexandre Curi (Republicanos): 17%
Filipe Barros (PL): 17%
Gleisi Hoffmann (PT): 15%
Cristina Graeml (PSD): 13%
Dr. Rosinha (PT): 5%
Joaquim do MLB (UP): 1%
Karen Guerreiro (Missão): 1%
Marcelo Marcelino (PCO): 0%

Brancos e nulos representam 5%, enquanto 7% não souberam ou não responderam.

A diferença entre Deltan, com 19%, e Cristina, com 13%, é de apenas seis pontos percentuais.

Considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, diferentes combinações de empate técnico aparecem dentro desse grupo.

Levantamento ouviu 1.600 eleitores

O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores do Paraná entre 13 e 17 de agosto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-09262/2026.

Mas existe um detalhe metodológico essencial para compreender seus percentuais.

O instituto consolidou as respostas referentes ao primeiro e ao segundo voto e posteriormente apresentou esses resultados numa escala de 100%.

Isso explica por que os números não podem ser diretamente comparados com os de outras pesquisas nas quais cada entrevistado simplesmente aponta até dois candidatos.

Paraná Pesquisas também coloca Deltan à frente

Um dia antes da divulgação do Real Time, outro levantamento apresentou quadro semelhante, embora com percentuais aparentemente muito maiores.

O Paraná Pesquisas, que foi a campo entre os dias 13 e 16 de agosto, encontrou:

Deltan Dallagnol (Novo): 34%
Alexandre Curi (Republicanos): 29,6%
Gleisi Hoffmann (PT): 28,1%
Filipe Barros (PL): 26%
Cristina Graeml (PSD): 17,2%
Dr. Rosinha (PT): 12,3%
Joaquim do MLB (UP): 1,5%
Karen Guerreiro (Missão): 1,2%
Marcelo Marcelino (PCO): 0,8%

Nesse levantamento, 7,8% disseram que votariam em branco ou anulariam, enquanto 5,9% não souberam responder.

Por que uma pesquisa mostra Deltan com 19% e outra com 34%?

Esse é um ponto que precisa ser explicado para não induzir o eleitor ao erro.

Não significa que Deltan tenha subido ou caído 15 pontos de uma pesquisa para outra.

Os institutos apresentam os resultados de maneiras diferentes.

No Paraná Pesquisas, cada entrevistado podia indicar até dois candidatos, acompanhando a lógica da própria eleição para o Senado.

Por isso, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.

Já o Real Time Big Data consolidou o primeiro e o segundo voto e reduziu o resultado para uma base de 100%.

Consequentemente, comparar diretamente os 34% do Paraná Pesquisas com os 19% do Real Time seria metodologicamente incorreto.

O que pode ser comparado é a posição relativa dos candidatos.

E nesse aspecto os dois levantamentos apontam uma tendência semelhante: Deltan aparece numericamente em primeiro, enquanto há forte disputa pelas posições seguintes.

Paraná Pesquisas ouviu 1.520 pessoas em 65 municípios

O Paraná Pesquisas entrevistou presencialmente 1.520 eleitores em 65 municípios, entre 13 e 16 de agosto.

A margem de erro é estimada em 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi registrado no TSE sob o número PR-09048/2026.

O instituto também comparou os números com sua pesquisa anterior.

Deltan passou de 28,1% para 34%, avanço de 5,9 pontos percentuais.

Alexandre Curi oscilou de 31,2% para 29,6%.

Gleisi Hoffmann variou de 28,7% para 28,1%.

Cristina Graeml passou de 13,2% para 17,2%.

Filipe Barros aparece com 26% no levantamento atual.

Oscilações dentro da margem de erro, porém, não devem ser tratadas automaticamente como crescimento ou queda efetiva.

Deltan enfrenta questão jurídica que ainda precisa ser decidida

Há outro elemento importante envolvendo o candidato que aparece numericamente à frente.

A situação eleitoral de Deltan Dallagnol está sendo discutida no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

Nesta semana, o Ministério Público Eleitoral apresentou parecer favorável à possibilidade de Deltan disputar as eleições de 2026.

O procurador regional eleitoral Marcelo Godoy sustentou que as condições analisadas na eleição anterior não devem produzir automaticamente os mesmos efeitos no pleito atual.

O parecer considera, entre outros aspectos, o desfecho posterior de procedimentos existentes quando Deltan deixou o Ministério Público Federal.

Parecer do Ministério Público não é decisão do TRE

Esse cuidado é fundamental.

A manifestação do Ministério Público Eleitoral não significa que o TRE-PR já tenha declarado definitivamente Deltan elegível.

O Ministério Público atua no processo apresentando sua posição jurídica.

Quem deverá decidir é a Justiça Eleitoral.

Portanto, neste momento, a informação correta é:

o MPE manifestou-se favoravelmente a Deltan, mas a questão ainda depende de decisão judicial.

Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro da candidatura de Deltan referente às eleições de 2022, quando ele havia sido eleito deputado federal pelo Paraná.

A discussão atual envolve os efeitos daquela decisão sobre as eleições de 2026.

Dados do TSE mostram candidaturas apresentadas

Dados do sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas da Justiça Eleitoral apresentam nove nomes na disputa paranaense ao Senado:

  • Alexandre Maranhão Khury — Alexandre Curi (Republicanos);
  • Cristina Reis Graeml (PSD);
  • Deltan Martinazzo Dallagnol (Novo);
  • Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (PL);
  • Florisvaldo Fier — Dr. Rosinha (PT);
  • Gleisi Helena Hoffmann (PT);
  • Joaquim Silva Maciel (UP);
  • Karen Correia Guerreiro (Missão);
  • Marcelo Gonçalves Marcelino (PCO).

Como os processos de registro passam pela análise da Justiça Eleitoral, a situação individual das candidaturas pode sofrer atualizações até a conclusão dos respectivos julgamentos.

Paraná escolherá dois senadores

Em 2026 ocorre a renovação de dois terços do Senado Federal.

Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois representantes.

No Paraná, portanto, o eleitor terá dois votos para senador.

Na urna eletrônica, o primeiro voto para o Senado será confirmado e, em seguida, aparecerá uma nova tela para a segunda vaga.

Existe uma regra importante: os dois votos precisam ser destinados a pessoas diferentes.

Caso o eleitor digite o mesmo candidato nas duas oportunidades, o segundo voto será considerado nulo.

Ao todo, o eleitor fará seis escolhas no primeiro turno:

  1. deputado federal;
  2. deputado estadual;
  3. senador — primeira vaga;
  4. senador — segunda vaga;
  5. governador;
  6. presidente da República.

Segundo voto muda a estratégia eleitoral

A existência de duas vagas cria uma dinâmica eleitoral peculiar.

Um candidato não precisa necessariamente retirar votos de outro para crescer.

Um mesmo eleitor pode, por exemplo, escolher candidatos pertencentes a campos políticos diferentes.

Também é possível formar as chamadas dobradinhas eleitorais, quando grupos políticos orientam seus eleitores a votar em dois nomes previamente definidos.

Essa característica deverá ganhar importância crescente durante a campanha.

O desempenho dos candidatos dependerá não apenas de sua força individual, mas também da capacidade de se transformar no primeiro ou no segundo voto do eleitor.

Cinco nomes entram na fase decisiva com competitividade

As duas pesquisas desta semana não permitem afirmar quem será eleito.

Pesquisa eleitoral registra a intenção dos entrevistados naquele determinado período e não constitui previsão do resultado das urnas.

Mas o cruzamento dos dois levantamentos permite algumas conclusões.

Deltan Dallagnol aparece numericamente à frente nos dois.

Alexandre Curi permanece fortemente competitivo.

Filipe Barros e Gleisi Hoffmann também estão inseridos no bloco que disputa diretamente as duas vagas.

Cristina Graeml aparece na sequência e, dependendo do instituto utilizado, aproxima-se estatisticamente de parte desse grupo.

Com dois votos disponíveis para cada eleitor e diferentes alianças sendo construídas, a corrida tende a sofrer mudanças importantes até outubro.

Mais do que perguntar quem está em primeiro lugar, a questão central da eleição para o Senado no Paraná será descobrir quais dois candidatos conseguirão entrar simultaneamente na preferência do eleitor.


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