Paraná sobe para 2º lugar no país e chega a 183 denúncias de irregularidades eleitorais
Número quase dobrou em cerca de um dia; registros feitos pelo Pardal envolvem possíveis irregularidades na propaganda eleitoral, mas denúncia não significa que uma infração já tenha sido comprovada

CURITIBA (PR) — O Paraná passou a ocupar a segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de denúncias de possíveis irregularidades na propaganda das Eleições 2026. O balanço mais recente disponível aponta 183 registros feitos por meio do aplicativo Pardal, ferramenta oficial da Justiça Eleitoral.
O crescimento chama atenção pela velocidade. No levantamento anterior, divulgado com dados contabilizados até quarta-feira (19), o Paraná aparecia com 102 denúncias e ocupava a terceira posição nacional. No início da noite de quinta-feira (20), o total já havia chegado a 183 — 81 novos registros em aproximadamente um dia.
No país, já eram mais de 1,8 mil denúncias desde o início oficial da propaganda eleitoral, em 16 de agosto.
Paraná ultrapassa Pernambuco e assume segunda posição
No balanço mais atualizado divulgado até a noite de quinta-feira, São Paulo liderava, com 328 denúncias.
Na sequência apareciam:
- São Paulo: 328 denúncias;
- Paraná: 183;
- Rio Grande do Sul: 163;
- Pernambuco: 162.
O Paraná, portanto, ultrapassou Pernambuco, que aparecia em segundo lugar no levantamento anterior.
Os números são dinâmicos porque novas denúncias podem ser protocoladas a qualquer momento pelo eleitorado.
É importante destacar que uma denúncia registrada no Pardal não significa automaticamente que houve irregularidade comprovada. O registro comunica à Justiça Eleitoral uma situação que deverá ser analisada e poderá ser arquivada, resultar em determinação para retirada ou regularização da propaganda ou, conforme o caso, gerar outras providências legais.
O que mais está sendo denunciado?
Nos primeiros dias de campanha, as ocorrências mais frequentes passaram a envolver propaganda irregular em vias públicas.
Entre os exemplos estão materiais de campanha deixados irregularmente nas ruas e a instalação de faixas ou outros tipos de propaganda em locais onde a legislação eleitoral não permite.
Em seguida aparecem irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral na internet.
Candidaturas a deputado estadual e deputado federal concentram grande parte dos registros apresentados à Justiça Eleitoral até agora.
Eleitor pode fiscalizar campanha pelo celular
O Pardal Móvel entrou em funcionamento para as Eleições Gerais de 2026 no dia 16 de agosto, mesma data em que passou a ser permitida a propaganda eleitoral.
A ferramenta é gratuita e está disponível para smartphones e tablets. Para fazer uma denúncia, o usuário precisa se autenticar utilizando o e-Título ou uma conta Gov.br.
A Justiça Eleitoral permite que sejam anexados elementos que ajudem na análise da ocorrência, como:
- fotografias;
- vídeos;
- áudios;
- links;
- descrição do fato;
- informações sobre o local da possível irregularidade.
Depois do envio, a ocorrência segue para a estrutura responsável da Justiça Eleitoral para triagem e análise.
Denúncia não pode ser anônima
Outro ponto importante é que o Pardal não admite denúncia anônima.
A pessoa que registra a ocorrência precisa se identificar. Entretanto, os dados do denunciante são protegidos e sua identidade pode ser mantida sob sigilo. O TRE-PR informa ainda que a denúncia precisa apresentar informações e evidências capazes de auxiliar a Justiça Eleitoral na verificação do fato.
A exigência de identificação também busca dificultar o uso da plataforma para denúncias falsas ou tentativas de instrumentalização política do sistema.
O que acontece depois da denúncia?
O Pardal 2026 possui integração com sistemas internos da Justiça Eleitoral.
Segundo o TSE, as denúncias podem ser encaminhadas automaticamente às unidades eleitorais competentes, considerando fatores como município, natureza da ocorrência e equipe responsável pela fiscalização.
Partidos, federações, coligações ou candidatos mencionados também podem ser notificados para prestar esclarecimentos ou demonstrar que uma situação apontada foi regularizada.
Caso seja necessário, uma ocorrência pode ser autuada diretamente no Processo Judicial Eletrônico, o PJe, como Notícia de Irregularidade de Propaganda Eleitoral.
Isso não significa condenação automática. A existência da denúncia inicia um processo de verificação.
E crimes eleitorais?
O Pardal tem como foco principal as irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral.
Situações que possam configurar crimes eleitorais — como eventual compra de votos — possuem tratamento próprio e podem ser direcionadas ao Ministério Público Eleitoral.
Essa diferenciação é fundamental para que o eleitor utilize o canal adequado e para evitar a interpretação equivocada de que toda denúncia registrada no aplicativo representa necessariamente um crime.
Campanha começou há poucos dias
O volume registrado chama atenção porque a propaganda eleitoral começou oficialmente apenas em 16 de agosto.
Em quatro dias, no primeiro balanço nacional, o TSE já havia contabilizado 1.103 denúncias. Naquele momento, eram 193 em São Paulo, 106 em Pernambuco e 102 no Paraná.
Pouco mais de 24 horas depois, o total nacional ultrapassava 1,8 mil e o Paraná já aparecia com 183 registros.
A evolução demonstra que a fiscalização da propaganda eleitoral deverá permanecer como um dos pontos de atenção da campanha de 2026.
Com mais de um mês ainda pela frente até o primeiro turno, a tendência é de que o número continue crescendo à medida que as campanhas intensifiquem atividades nas ruas, redes sociais e demais meios de comunicação.
Fiscalização também depende do eleitor
Nas Eleições 2026, o Pardal funciona como um instrumento para transformar o próprio eleitor em participante da fiscalização.
A plataforma não substitui a análise da Justiça Eleitoral, mas permite que situações encontradas nas ruas ou no ambiente digital cheguem rapidamente aos órgãos responsáveis.
No Paraná, o salto de 102 para 183 denúncias em pouco tempo coloca o estado entre os principais focos dessa fiscalização já na primeira semana de campanha.
O Portal Conexão Geral continuará acompanhando a atualização do Pardal, especialmente para verificar a evolução das denúncias no Paraná e a eventual existência de registros relacionados a Araucária e aos demais municípios da Região Metropolitana de Curitiba.
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