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Bradesco acelera fechamento de agências e reduz rede física em todo o país

Banco encerrou 165 agências apenas no primeiro semestre de 2026 e possui 324 unidades a menos do que há um ano; plano prevê reduzir entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento neste ano. No Paraná, fechamentos já atingem cidades como Ponta Grossa

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SÃO PAULO — O Bradesco avança em uma das maiores reestruturações de sua rede física das últimas décadas. Enquanto aumenta investimentos em tecnologia e direciona clientes para os canais digitais, o banco continua fechando agências, reduzindo postos de atendimento e diminuindo seu quadro de funcionários.

Dados divulgados pelo próprio Bradesco no balanço do segundo trimestre mostram que a instituição terminou junho de 2026 com 1.844 agências em funcionamento no país. Em dezembro de 2025, eram 2.009.

Isso significa que 165 agências foram encerradas somente no primeiro semestre deste ano.

Quando a comparação é feita com junho de 2025, quando havia 2.168 agências, a redução chega a 324 unidades em 12 meses.

Atenção: 324 não é o número fechado somente em 2026

A distinção é importante porque diferentes publicações e entidades reproduziram nos últimos dias a informação de que o Bradesco teria fechado 324 agências durante o primeiro semestre de 2026.

Os demonstrativos do banco não confirmam essa interpretação.

Os números oficiais são:

  • Junho de 2025: 2.168 agências;
  • Dezembro de 2025: 2.009;
  • Março de 2026: 1.938;
  • Junho de 2026: 1.844.

Portanto:

queda no primeiro semestre de 2026: 165 agências;

queda nos últimos 12 meses: 324 agências.

A diferença não reduz a dimensão do movimento. Ao contrário: os números mostram que a redução da presença física continua em ritmo acelerado.

Rede inteira perdeu quase 500 unidades em seis meses

A transformação vai além das agências tradicionais.

Em dezembro de 2025, a chamada rede de atendimento do Bradesco somava 4.605 unidades, considerando agências, unidades de negócios e postos de atendimento.

Em junho de 2026, esse número havia recuado para 4.107.

São 498 unidades físicas a menos em apenas seis meses.

A composição da rede em junho era:

  • 1.844 agências;
  • 698 unidades de negócios;
  • 1.161 postos de atendimento (PAs);
  • 404 postos de atendimento eletrônico (PAEs).

Na comparação apenas entre março e junho deste ano, a rede física caiu de 4.367 para 4.107 unidades, uma redução de 260 pontos em três meses.

Bradesco planeja fechar entre 600 e 700 unidades em 2026

O processo não é inesperado.

Em fevereiro, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, revelou que a instituição planejava fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento ao longo de 2026, como parte do programa de redução de custos e transformação do modelo de atendimento.

Em 2025, o Bradesco já havia reduzido aproximadamente 1.400 pontos de atendimento, movimento semelhante ao registrado no ano anterior.

A estratégia faz parte de um plano de transformação de cinco anos iniciado depois que Noronha assumiu o comando do banco, no final de 2023.

Digitalização está no centro da estratégia

A principal justificativa da instituição é a mudança no comportamento dos clientes.

No balanço do segundo trimestre, o próprio Bradesco informa que 99% das transações já são realizadas pelos canais digitais, sendo 96% concentradas em celular e internet.

O banco entende que esse movimento reduz a necessidade de manter a mesma estrutura física existente no passado.

Marcelo Noronha já afirmou que o custo de operação presencial é elevado e que a mudança para o ambiente digital tornou-se necessária diante da queda de determinadas receitas tradicionais e da concorrência crescente das fintechs.

Pequenas cidades estão no centro da discussão

Uma das declarações do presidente do banco ajuda a dimensionar como a estratégia poderá atingir cidades do interior.

Noronha afirmou que manter uma agência em municípios com menos de 20 mil habitantes pode ser difícil do ponto de vista de rentabilidade.

A alternativa apresentada pelo banco é ampliar a utilização do Bradesco Expresso, formado por estabelecimentos comerciais credenciados para realizar determinadas operações bancárias.

Em junho de 2026, o Bradesco possuía 39.216 correspondentes Bradesco Expresso no país.

O número é até ligeiramente superior aos 38.954 existentes em junho de 2025.

A instituição utiliza essa rede para manter presença em localidades onde uma agência tradicional deixa de ser economicamente considerada necessária.

Ponta Grossa perde duas unidades

O movimento já tem reflexos concretos no Paraná.

Nesta quinta-feira, 20 de agosto, foi confirmado que o fechamento de duas unidades do Bradesco em Ponta Grossa, nos bairros Uvaranas e Oficinas, faz parte da reestruturação nacional promovida pelo banco.

Os encerramentos haviam sido anunciados anteriormente, mas somente agora houve confirmação de que estavam diretamente ligados à política nacional de redução da rede física.

Para clientes que dependem de atendimento presencial, o fechamento pode significar deslocamento para outras agências, utilização de correspondentes bancários ou migração para aplicativo e internet banking.

Redução também chega ao quadro de funcionários

O fechamento de unidades ocorre simultaneamente à diminuição do número de trabalhadores.

Em dezembro de 2025, o conglomerado Bradesco possuía 82.095 funcionários.

Em junho de 2026, esse número havia caído para 79.699.

A diferença representa 2.396 trabalhadores a menos em seis meses.

Na comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, a redução foi de 2.448 postos, já que a empresa possuía 82.147 funcionários um ano antes.

Banco diz que não há programa de demissão em massa

Em manifestação divulgada após críticas de entidades representativas dos bancários, o Bradesco afirmou que não mantém um programa de demissões em massa.

Segundo a instituição, os ajustes são realizados de maneira planejada e a prioridade, sempre que possível, é a realocação interna, mobilidade profissional e reposicionamento dos funcionários.

O banco também sustenta que continua investindo em treinamento e qualificação profissional para preparar trabalhadores para as mudanças no mercado financeiro.

Sindicatos protestam contra fechamento

As entidades representativas dos bancários têm uma visão diferente sobre os efeitos da política.

Em 11 de agosto, trabalhadores realizaram um Dia Nacional de Luta contra demissões e fechamento de agências do Bradesco.

Em São Paulo, manifestações ocorreram em unidades de diversas regiões da capital e em Osasco. Os sindicatos argumentam que o fechamento prejudica funcionários, aumenta a demanda nas unidades que permanecem abertas e reduz as alternativas de atendimento presencial para a população.

O tema também está inserido na Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

Nesta quinta-feira (20), bancários realizaram paralisações em diferentes estados, inclusive no Paraná, durante as negociações com a Federação Nacional dos Bancos.

Lucro cresce enquanto estrutura diminui

O debate sobre o fechamento ganhou força porque ocorre simultaneamente à recuperação dos resultados financeiros do banco.

No primeiro semestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% em comparação ao mesmo período de 2025.

Somente no segundo trimestre, o lucro recorrente chegou a aproximadamente R$ 7,05 bilhões, também com crescimento anual de 16,2%.

O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu aproximadamente 16% no semestre.

Para os sindicatos, o aumento dos lucros contradiz a necessidade de reduzir empregos e atendimento presencial.

Para o banco, por outro lado, os resultados são consequência justamente da transformação operacional, do controle de custos, da digitalização e de mudanças na estratégia comercial.

Bradesco aposta mais nos clientes de alta renda

Ao mesmo tempo em que reduz a estrutura tradicional, o banco está expandindo modelos diferentes de atendimento para clientes de renda mais elevada.

O principal exemplo é o Bradesco Principal, segmento destinado a clientes que ficam entre o Prime e o Private.

Em junho, o segmento já tinha mais de 400 mil clientes, presença em mais de 70 escritórios e atuação em 45 cidades.

O formato é diferente de uma agência convencional.

A proposta envolve atendimento mais consultivo, gerentes especializados, investimentos e relacionamento personalizado.

Isso revela uma transformação estrutural no modelo bancário: menos agências tradicionais para operações rotineiras e mais atendimento digital para o público de massa, combinado com estruturas especializadas para clientes considerados de maior valor financeiro.

Idosos e pessoas com menor familiaridade digital preocupam

A redução de agências também levanta uma questão social.

Embora a maioria das operações bancárias já tenha migrado para celulares e computadores, uma parcela da população ainda depende fortemente do atendimento presencial.

Entre os grupos potencialmente mais afetados estão:

  • idosos;
  • aposentados;
  • pessoas com dificuldade no uso de aplicativos;
  • moradores de pequenos municípios;
  • consumidores sem acesso adequado à internet;
  • pessoas que necessitam realizar operações específicas presencialmente.

Entidades sindicais afirmam que, nesses casos, correspondentes bancários não substituem integralmente uma agência porque não oferecem todos os produtos e serviços disponíveis em uma unidade tradicional.

Uma transformação que não ocorre somente no Bradesco

A redução da rede física não é exclusividade do Bradesco.

Itaú e Santander também vêm reduzindo agências e funcionários diante do avanço dos serviços digitais.

Nos 12 meses encerrados em junho, os três maiores bancos privados fecharam aproximadamente 2 mil pontos de atendimento e reduziram cerca de 14,3 mil postos de trabalho.

O Bradesco, entretanto, aparece como uma das instituições com maior redução da presença física.

O fenômeno já recebeu até uma expressão específica no mercado financeiro: redução de footprint, ou redução da estrutura física necessária para manter a operação.

Bradesco ainda mantém uma rede ampla de atendimento

Apesar do fechamento das agências, seria incorreto afirmar que o banco está abandonando completamente a presença física.

Em junho, além das 1.844 agências, o Bradesco informava:

39.216 correspondentes Bradesco Expresso;

21.995 pontos assistidos da rede Banco24Horas;

e 39.070 máquinas de autoatendimento, sendo 11.299 da própria rede e 27.771 do Banco24Horas.

O que está ocorrendo é uma mudança no tipo de presença física.

O modelo tradicional baseado em uma agência completa, com caixas, gerentes e funcionários concentrados em um mesmo endereço, perde espaço para correspondentes, autoatendimento, atendimento remoto e aplicativos.

Mudança deve continuar

O próprio plano anunciado pela direção do banco indica que a redução deverá continuar durante o segundo semestre.

Se a meta de fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento em 2026 for integralmente executada, novas cidades e bairros ainda poderão perder unidades até dezembro.

O impacto deverá ser diferente conforme a localidade.

Nos grandes centros, clientes podem encontrar outra unidade a poucos quilômetros.

Em cidades pequenas, o fechamento de uma única agência pode significar a perda da única estrutura bancária presencial completa disponível naquele município.

Por isso, além dos números financeiros, a discussão sobre o futuro das agências envolve uma questão mais ampla: até que ponto a eficiência proporcionada pela digitalização consegue substituir, para todos os públicos, o atendimento bancário presencial?

O avanço dos aplicativos mostra que o comportamento da maioria dos clientes já mudou. Mas os sucessivos fechamentos também demonstram que a transformação do sistema bancário brasileiro ainda terá impactos sobre trabalhadores, consumidores e principalmente municípios menores.


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