Renan Santos leva fraldas com nomes de Lula e Flávio e provoca ausentes antes do debate da Band
SÃO PAULO — A ausência dos dois principais candidatos nas pesquisas para a Presidência da República virou alvo de uma provocação incomum momentos antes do primeiro debate presidencial das Eleições 2026, realizado pela Band neste domingo (23). Ao…

SÃO PAULO — A ausência dos dois principais candidatos nas pesquisas para a Presidência da República virou alvo de uma provocação incomum momentos antes do primeiro debate presidencial das Eleições 2026, realizado pela Band neste domingo (23).
Ao chegar aos estúdios do Grupo Bandeirantes, em São Paulo, Renan Santos, candidato do partido Missão, apareceu diante dos jornalistas carregando duas fraldas com os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escritos nelas.
O gesto foi utilizado pelo candidato para ironizar a decisão dos dois adversários de não comparecer ao confronto televisionado. A própria Band registrou o episódio durante a cobertura realizada antes do início do programa.
“São dois medrosos”, disse Renan
Questionado sobre sua expectativa para o debate, Renan mostrou as fraldas aos jornalistas e direcionou críticas aos dois candidatos que lideram as pesquisas nacionais.
Referindo-se a Lula e Flávio Bolsonaro, afirmou que ambos deveriam ter comparecido ao encontro e os classificou como “dois medrosos”.
A manifestação foi acompanhada por declarações ainda mais duras contra os adversários. Renan fez acusações de natureza criminal contra os dois candidatos, declarações que devem ser entendidas como acusações feitas pelo presidenciável durante o ato político, e não como fatos estabelecidos por esta reportagem.
A provocação com as fraldas rapidamente ganhou repercussão na cobertura eleitoral e nas redes sociais.
Lula e Flávio lideram pesquisas, mas não foram ao debate
A encenação de Renan teve como alvo justamente os dois candidatos que ocupam as primeiras posições no levantamento Datafolha mais recente citado pela cobertura nacional.
Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Mais atrás aparecem Ronaldo Caiado, com 5%; Renan Santos, com 4%; e Romeu Zema, com 3%.
A ausência simultânea dos dois primeiros colocados tornou-se um dos principais assuntos políticos deste domingo.
Por que Lula não participou?
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não participar do primeiro debate.
Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que o formato produziria uma situação considerada desequilibrada, na qual Lula poderia se transformar no principal alvo dos demais participantes.
A campanha também questionou a presença de candidatos convidados pela emissora além daqueles cuja participação seria obrigatória pelos critérios previstos na legislação eleitoral.
Neste domingo, enquanto o debate era realizado pela Band, a Record programou a exibição de uma entrevista gravada com Lula no Domingo Espetacular.
Flávio adotou estratégia vinculada à presença de Lula
Flávio Bolsonaro também decidiu ficar fora do primeiro confronto televisionado.
Dirigentes do PL vinham defendendo que o candidato participasse prioritariamente de debates nos quais Lula também estivesse presente.
Sem o atual presidente no palco, a avaliação da campanha foi evitar que Flávio ocupasse sozinho a posição de principal candidato das pesquisas e concentrasse os ataques dos demais concorrentes.
Foi justamente essa estratégia que Renan Santos resolveu explorar publicamente com as fraldas.
Renan também criticou Zema
A provocação não ficou restrita a Lula e Flávio Bolsonaro.
Durante sua conversa com jornalistas, Renan também criticou a decisão de Romeu Zema (Novo) de não comparecer ao debate.
Zema estava inicialmente confirmado, mas anunciou neste domingo a retirada de sua participação.
A campanha do ex-governador mineiro afirmou que a mudança da data original do debate havia sido aceita diante da expectativa de participação de Lula e que, com a ausência do presidente e de outros concorrentes, o encontro teria perdido parte de seu “propósito inicial”.
Renan classificou a ausência de Zema como um grande desrespeito e afirmou não compreender a decisão do adversário.
Cury desistiu e voltou atrás
Outro episódio aumentou a instabilidade antes do programa.
Augusto Cury (Avante) chegou a anunciar que também não participaria do debate como forma de protesto contra o esvaziamento do encontro.
Pouco antes do início, entretanto, voltou atrás e decidiu comparecer. Segundo a cobertura publicada neste domingo, Cury disse ter reconsiderado a decisão em respeito ao jornalista Fernando Mitre.
Assim, o debate começou com apenas três presidenciáveis no palco:
- Renan Santos (Missão)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Augusto Cury (Avante)
Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ficaram de fora.
Menor quórum de uma estreia presidencial desde 1989
O esvaziamento transformou o primeiro debate eleitoral de 2026 em um episódio histórico.
De acordo com levantamento da Folha de S.Paulo, o encontro deste domingo registrou o menor número de participantes em um primeiro debate presidencial desde 1989, ano da primeira eleição direta para presidente após a redemocratização.
Além da ausência dos dois líderes das pesquisas, a desistência de Zema reduziu ainda mais o número de participantes.
O cenário também ampliou o espaço político e o tempo de exposição dos candidatos que aceitaram comparecer.
Fraldas transformam ausência em imagem política
Ao levar objetos físicos para simbolizar os adversários ausentes, Renan Santos utilizou uma estratégia conhecida na comunicação eleitoral: transformar uma crítica política em uma imagem simples, visual e facilmente compartilhável nas redes sociais.
Independentemente da avaliação sobre o tom utilizado, a cena criou uma imagem de forte capacidade de circulação digital — justamente em uma campanha marcada pela disputa por vídeos curtos, recortes e repercussão instantânea.
Ao mesmo tempo, a provocação estabelece o tom de confrontação que Renan pretende adotar durante a campanha: questionar tanto Lula quanto o campo bolsonarista e buscar se apresentar como alternativa aos dois polos que atualmente lideram a disputa presidencial.
O episódio das fraldas provavelmente estará entre as imagens mais lembradas das horas que antecederam o primeiro debate da eleição de 2026.
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