Cartão de Crédito é a Principal Dívida de Nove em Cada Dez Famílias Paranaenses
Levantamento da Fecomércio PR e CNC indica que 87,2% dos lares no Estado possuem compromissos financeiros, com o dinheiro plástico liderando disparado o orçamento doméstico.

O orçamento dos lares no Paraná continua fortemente impactado pelos compromissos financeiros de curto prazo. Segundo dados consolidados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o cartão de crédito é a modalidade de dívida presente em 91,5% das famílias endividadas no Estado — o que representa mais de nove a cada dez lares.
Ao todo, 87,2% das famílias paranaenses possuem algum tipo de despesa parcelada ou valor pendente. O indicador abrange modalidades que vão desde o plástico e carnês de lojas até financiamentos habitacionais e automotivos, além do crédito pessoal e do cheque especial.
Raio-X do Endividamento no Estado
Embora o índice de famílias com dívidas no Paraná supere a média nacional (que gira em torno de 81,6%), os analistas da Fecomércio PR ressaltam que o Estado ainda sustenta um dos menores índices de inadimplência crônica do país. O percentual de paranaenses que declaram não ter condições de quitar suas contas atrasadas permanece significativamente inferior ao registrado em outras regiões do Brasil.
No recorte por modalidades de crédito, após o cartão — que lidera com folga o ranking —, aparecem:
- Financiamento de veículos: presente em 8,5% do orçamento dos endividados;
- Carnês de lojas e crediários: que ganharam força recente e alcançam 6,1%;
- Financiamento imobiliário: representando cerca de 6,6% das obrigações;
- Crédito pessoal e consignado: completando a lista com menor fatia do mercado.
Impacto nas Faixas de Renda
A pesquisa aponta nuances importantes conforme o rendimento familiar. Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice de endividamento alcança 88%, impulsionado pela necessidade de parcelar itens essenciais do dia a dia, como alimentos, vestuário e remédios. Já entre a população de maior renda (acima de 10 salários mínimos), o nível de endividamento é ligeiramente menor, situando-se em 83,3%, com maior foco em financiamentos patrimoniais e aquisição de bens duráveis.
Especialistas em finanças pessoais alertam para o risco do efeito “bola de neve” imposto pelas altas taxas de juros do rotativo do cartão de crédito. A recomendação dos economistas para os consumidores do Paraná é priorizar a renegociação de débitos com juros mais elevados e manter um planejamento mensal rigoroso para evitar que o parcelamento compromise a subsistência da família nos próximos meses.
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