Câmara de Curitiba Retoma Debate Sobre Criação de Faixas Exclusivas para Motociclistas
Projeto de lei propõe a implantação de corredores de segurança ("Faixa Azul") em grandes avenidas para reduzir acidentes e organizar o fluxo entre carros e motos na Capital e RMC.

A organização do tráfego urbano e a redução dos índices de acidentes envolvendo motociclistas voltaram ao centro das discussões na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Um novo projeto de lei protocolado na Casa busca autorizar a Prefeitura a implantar faixas exclusivas e preferenciais para a circulação de motocicletas, motonetas e ciclomotores nas vias de maior fluxo e nos eixos estruturais da cidade.
A proposta é inspirada na experiência da “Faixa Azul”, modelo já testado e aprovado pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo com aval da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A medida consiste na sinalização de um espaço delimitado entre as faixas de rolamento tradicionais, canalizando a circulação dos veículos sobre duas rodas em locais estratégicos para evitar o “corredor” desordenado entre os automóveis.
Redução de Sinistros e Organização do Tráfego
Segundo dados dos órgãos de trânsito e do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), os motociclistas representam uma das parcelas mais vulneráveis nos sinistros viários na Região Metropolitana de Curitiba. Com o crescimento expressivo do serviço de entregas por aplicativo e do uso da moto como transporte individual de passageiros nos últimos anos, a disputa por espaço no asfalto intensificou os gargalos nos horários de pico.
Defensores do projeto argumentam que a demarcação visual traz previsibilidade ao trânsito:
- Para os motoristas de carros e caminhões: Facilita a visualização pelo retrovisor e diminui os pontos cegos durante a troca de faixas;
- Para os motociclistas: Oferece um espaço de trafegabilidade mais seguro, reduzindo colisões laterais e quedas causadas por frenagens bruscas no tráfego pesado.
Próximos Passos na Legislação Municipal
O projeto inicia agora a sua tramitação pelas comissões temáticas da Câmara, a começar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será avaliada a constitucionalidade e a conformidade com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Posteriormente, a matéria passará pela análise das comissões de Urbanismo, Obras Públicas e Transportes antes de seguir para votação no plenário.
Caso seja aprovado pelos vereadores e sancionado pelo Poder Executivo, caberá à Superintendência de Trânsito de Curitiba (Setran) realizar os estudos de viabilidade técnica para determinar quais avenidas e eixos viários receberão a sinalização piloto, que também deve impactar o deslocamento diário de milhares de trabalhadores que vêm dos municípios vizinhos da RMC.
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